PAUSE & REWIND.

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O tempo passa. Passa depressa. Quando paramos para olhar os nossos filhos, é nessa altura normalmente que nos bate. É comum ouvir-se isso. E porra como é verdade. Parei para ver os vídeos que vou gravando do meu filho. Quando estava a editar um simples apanhado das sessões de skate deste ano, carreguei em pause. Fiquei ali a olhar. Para ele em cima do skate. Focado e determinado a descer uma rampa 3 vezes o tamanho dele. Fiquei a olhar. E a minha cabeça fez rewind até ao dia em que o vi pela primeira vez. Pequeno como os prematuros sabem ser. Lembrei-me dele a dormir numa incubadora com tubos por todo o lado. Lembrei-me de muita coisa que aconteceu pelo caminho. E que teimava em tentar deitar-nos abaixo. Mas prevaleceu a força e a determinação deste miúdo. Que eu nos dias que estou com os azeites chamo de mau-feitio e teimosia. Mas é força e determinação mesmo. És grande filho. E eu sou teu fã.

 

 

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Time flies. It  flies by fast. When you stop to look at your kids, that’s when it really hits you. It’s commonplace to hear that. And damn, how it’s true. I took some time the other day to watch some video clips I recorded of my son. I was editing a handful of video clips of this year’s skate sessions, when I pressed pause. I just sat there looking at the screen. Looking at him on his skateboard. Focused and committed, dropping down a ramp 3 times his size. I just sat there looking. And my head just started to rewind to the day I first saw him. So tiny, like prematures can be. I remember him sleeping in an incubator with wires and tubes everywhere. I remember lots that happened along the way. The thrills and the spills. All the shit that insisted in bringing us down. But this kid’s strength and determination prevailed. On bad days, I call it stubbornness and bad temperament. But it’s really strength and determination. You are a giant, son. And I’m your fan.

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DOMINGOS

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love sunday sessions

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Domingos de manhã são do que mais gosto. Até o meu filho nascer, eu odiava domingos. Dias de neura. Mas agora são do que mais gosto. Acordar cedo, vestir, calçar, agarrar os skates e os capacetes e as protecções e ir até à Boardriders. Ver o meu filho a divertir-se no skatepark é o meu elixir matinal. Olho para ele a dropar o bowl, a coragem nos olhos, a determinação na posição do corpo e o sorriso que vem a seguir, e o meu dia está feito. Às vezes ainda me lembro da médica da ecografia transfontanelar a dizer-me que o meu filho tinha uma leucomalácia porque tinha sido visto uma zona com líquido no cérebro. Ainda me lembro da médica dizer que ele provavelmente viria a ter dificuldade de movimento ou fraqueza muscular num dos lados do corpo. E de que da leucomalácia poderia vir a desenvolver paralisia cerebral. Já falei nisso antes. Mas porra, quando o vejo nos domingos de manhã, não deixo de me comover e de respirar fundo de alívio e de felicidade. E quando escrevo #damnblessed é porque é isso mesmo que sinto.

Ele não sabe de todas estas tangentes que passou. Não sabe porque é que respiro fundo de alívio quando o vejo a brincar, a correr e a saltar. Não faz ideia porque é que olho para o céu e sorrio quando o vejo a dropar um bowl ou a conseguir descer um rampa e ir ao quarter pipe e voltar sozinho. Ele não faz ideia. Mas faz bem ideia do quanto gosto dele e o admiro. Porque ainda ontem quando me deitei no final da noite no sofá e ele veio se deitar ao meu lado a ver TV, abracei-o e perguntei-lhe “sabes porque é que eu adoro-te filho?“. Ele respondeu “sei“. “Então porquê?” perguntei eu. Diz ele “porque eu sou o teu amigo, e porque gostas muito de mim, e porque sou o teu tesouro“. Sorri e disse-lhe “é isso mesmo filho, é que é isso mesmo” e dei-lhe um beijo.

Pode não saber muita coisa. Mas sabe uma das coisas mais importantes que uma pessoa pode saber. Sabe que os pais o amam. E assim acabou mais um domingo. Porra, adoro domingos.

 

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I love Sunday mornings. Before being a father, I used to hate Sundays. No joke. They were depressing. But now they’re my favorite. Waking up early, getting dressed, shoes on, grab our skateboards and helmets and pads and roll over to the Boardriders skatepark. Watching my son have fun at the skatepark is my morning potion. I see him dropping in the bowl, the courage in his eyes, the commitment in his posture, and the smile that follows, and my day is made. sometimes I still remember the doctor with the transfontanellar ultrasound telling me my baby son had a periventricular leukomalacia (PVL), a type of brain injury that involves the death of small areas of brain tissue around fluid-filled areas called ventricles. The damage they say creates “holes” in the brain. I still remember the doctor saying he might have some type of movement disorder or weakness on one side of his body. And that the PVL might lead to cerebral palsy. I’ve written about that before, I know. But damn, when I see him on Sunday mornings, I can’t help feeling moved and taking a deep breath of relief and joy. So when I hashtag #damnblessed I really mean it.

He doesn’t really realize the close calls he’s been through. He doesn’t know why I breathe of relief when I see him play, run and jump. He has no idea why I look up to the sky and to heaven and smile when he makes the drop into the bowl, or when he hits the quarter-pipe by himself. He has no idea. But he has a very good idea of how much I love and admire him. Because just last night, when I laid down on the sofa and he came to lay down next to me to watch TV, I hugged him and asked him “you know why I love you so much, son?“. He answered “yeah“.  “Why is it then?” I asked. He answers “because I’m your best friend and you love me and I’m your treasure“. I smiled and said “that’s right, son, that is exactly right” and I kissed him.

He may not know a lot. But he knows one of the most important things that one can know. He knows his parents love him. Just another Sunday. Damn, I love Sundays.