ELE EXPLICA #1

Hoje é dia de explicação. Já vai tarde, mas entretanto meteram-se férias, cabeças e dedos partidos, jogos do Euro, e mais não-sei-quê.

Mas aqui vai. O primeiro episódio do Ele Explica, depois do episódio-piloto. O tema não podia ser mais actual. Brexit.

Enjoy e aprendam alguma coisa.

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ELE EXPLICA

Quem me lê já deve ter reparado uma coisa aqui mesmo em cima que diz ELE EXPLICA. Até agora, nada aparecia quando se clicava. Mas hoje começa uma nova série chamada, adivinhem… ELE EXPLICA.

Uma vez por semana o meu filho vai explicar do ponto de vista dele um assunto qualquer. Uma das coisas que tenho aprendido enquanto pai, é escutar o meu filho. Escutá-lo mesmo. Ouvir e tentar perceber o mundo e as coisas pelos olhos dele. Aprender com ele a navegar esta vida.

Para começar, apresento o episódio piloto em que ele explica a ideia da série.

Espero que gostem e como eu aprendam alguma coisa.

Enjoy.

MATAR A SAUDADE

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o meu amigo fotografado por mim dentro de água a surfar uma onda no Lagide

Sabem como às vezes despareço e não escrevo nada e o blog parece uma biblioteca em dia de jogo da Selecção Nacional? O mesmo acontece comigo na vida real. Não que o blog não seja a minha vida real. Mas vocês percebem o que estou a dizer. Adiante. Eu na vida real também desapareço de vez em quando. Os meus amigos bem o sabem. Amigos. Muitos. Vivi em 2 países diferentes. Em 7 cidades diferentes. Andei em dezenas de escolas diferentes. Estou activamente em 2 redes sociais de relevo. E já estive em 3 outras. Tenho 1 blog. Já tive outros 2. Pelo caminho, fui fazendo amigos e amigas. Muitos e muitas. Alguns bons. Alguns muito bons. Alguns extraordinários mesmo. Muitos assim-assim. Outros ficaram pelo caminho. Os que ficaram pelo caminho, foi por circunstâncias da vida, outros porque não passaram o teste da amizade nem o teste do tempo. Também os há. Mas os que ficaram por cá, esses são do caraças. Passam-se dias, semanas, meses e em alguns casos até anos que não vejo alguns. Quando os vejo, é como se o mundo tivesse parado ou em pause. O amor e amizade que sinto por esta gente tem esse poder. E o amor e amizade deles por mim o mesmo. E não se enganem. Eu não sou um gajo fácil de guardar como amigo. No sentido que desapareço de tempos em tempos. Puf. Gone boy. Não sou um amigo de telefonemas ou mensagens frequentes. Eu nem à minha mãe às vezes atendo o telefone (sorry mom, you know I love you). Não sou de visitas regulares. A máxima “longe dos olhos, longe do coração” pode ser um carrasco implacável para quem é meu amigo e acredita nela. É que passo muito tempo “longe dos olhos“. Mas nunca guardo os meus amigos longe do coração. Eles sabem que sou gajo de desaparecer. Mas também sabem que o lugar deles é no meu peito e que aquele espaço ali é intemporal. É para sempre.

Isto a propósito que na semana passada revi um amigo que já não via há tempo demais. Um irmão. Um gajo incansável na insistência em não perder o contacto comigo, porque o gajo já sabe o que é que a casa gasta comigo. Passámos muitos e bons momentos juntos. Partilhámos ondas, viagens, copos, cigarros, trabalhos e histórias. Partilhámos madrugadas frias nas ruas de Lisboa e manhãs geladas nos areais de Peniche. Partilhámos viagens a Sagres e aventuras em Mundaka. Manhãs em branco a trabalhar e a descarregar camiões. Noites a beber e a rir já sem um tusto no bolso e sem saber bem como voltar para casa. Partilhámos angústias e expectativas. Sonhámos. Acordámos para a vida. E sonhámos outra vez. A semana passada ia eu a caminho da praia onde tantas vezes nos encontrámos com os carros na reserva e a cheirarem a wax para decidir onde surfar, desta vez com o meu filho no banco de trás em vez do fato húmido, e bateu-me uma filha-da-puta de uma nostalgia que só visto. Comecei a contar ao meu filho histórias daquele tempo. Ou pelo menos algumas. As que ele pode ouvir.

Hoje somos os dois pais. Cada um com a sua vida. Responsabilidades e mais não-sei-quê. A vida não é exactamente aquilo que sonhámos. Mas anda lá perto. Muito perto. Em algumas coisas, superou os nossos sonhos. Engraçado quando amigos assim, se deixam de ver, as suas vidas podem seguir caminhos diferentes, mas quando se encontram, percebem que não estão muito diferentes um do outro. Ambos vivemos junto ao mar. Ambos temos 2 filhos incríveis. Ambos continuamos a agarrar a vida pelos cornos e tentar aproveitá-la o melhor que podemos. Ambos preocupados com a natureza, com o mundo e com as pessoas. Ambos com o mesmo medo de morrer e as mesmas fobias porque a vida é tão boa, porra. Ambos ainda a sonharem. Este gajo, não o via há tempos, mas parece que estivemos juntos desde sempre. Quando a mulher dele disse-me que devíamos de nos encontrar mais vezes porque éramos como irmãos, aquilo bateu-me. Percebi que apesar dos meus amigos e das minhas amigas saberem que os amo mesmo quando desapareço, que o tempo não espera por ninguém. E que toda a gente gosta de ver e abraçar as pessoas de quem gostam. E que um dia um gajo põe-se a pensar e pensa que deviam se ter encontrado mais vezes. Que um gajo já tem de ver diariamente pessoas que não quer e não gosta e depois podia fazer mais para ver as pessoas que quer e que gosta.

Não sou um amigo fácil de manter. Porque desapareço. Mas quando gosto, gosto a sério, mesmo quando despareço. Mas tenho de me deixar de armar em Houdini. Pelo menos encurtar os meu desaparecimentos.

Fica o meu conselho. Não despareçam como eu. Agarrem nessa cena que carregam no bolso ou nas malas e em vez de ir espreitar à janela do instagram ou do facebook, usem-no para mandar uma mensagem ou telefonar mesmo. O iPhone e o android também servem para telefonar. Combinem uma coisa qualquer. Surfada, skatada, café, chá, scones, cinema, um jog, praia, compras, sardinhada, pic-nic, aula de fitness, qualquer coisa. Mas arranjem maneira de se verem. O instagram e o facebook são porreiros, mas toda a gente sabe que aquela foto do Rock in Rio a 1 km do palco com os dentes arreganhados não nos faz tão feliz como um abraço e uma gargalhada juntos na esplanada com duas fresquinhas e uma travessa de caracóis à frente. Não gostam de caracóis? Comam percebes, azeitonas, qualquer coisa. Vá vão lá, e agradeçam-me depois.

PAUSE & REWIND.

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O tempo passa. Passa depressa. Quando paramos para olhar os nossos filhos, é nessa altura normalmente que nos bate. É comum ouvir-se isso. E porra como é verdade. Parei para ver os vídeos que vou gravando do meu filho. Quando estava a editar um simples apanhado das sessões de skate deste ano, carreguei em pause. Fiquei ali a olhar. Para ele em cima do skate. Focado e determinado a descer uma rampa 3 vezes o tamanho dele. Fiquei a olhar. E a minha cabeça fez rewind até ao dia em que o vi pela primeira vez. Pequeno como os prematuros sabem ser. Lembrei-me dele a dormir numa incubadora com tubos por todo o lado. Lembrei-me de muita coisa que aconteceu pelo caminho. E que teimava em tentar deitar-nos abaixo. Mas prevaleceu a força e a determinação deste miúdo. Que eu nos dias que estou com os azeites chamo de mau-feitio e teimosia. Mas é força e determinação mesmo. És grande filho. E eu sou teu fã.

 

 

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Time flies. It  flies by fast. When you stop to look at your kids, that’s when it really hits you. It’s commonplace to hear that. And damn, how it’s true. I took some time the other day to watch some video clips I recorded of my son. I was editing a handful of video clips of this year’s skate sessions, when I pressed pause. I just sat there looking at the screen. Looking at him on his skateboard. Focused and committed, dropping down a ramp 3 times his size. I just sat there looking. And my head just started to rewind to the day I first saw him. So tiny, like prematures can be. I remember him sleeping in an incubator with wires and tubes everywhere. I remember lots that happened along the way. The thrills and the spills. All the shit that insisted in bringing us down. But this kid’s strength and determination prevailed. On bad days, I call it stubbornness and bad temperament. But it’s really strength and determination. You are a giant, son. And I’m your fan.

{scroll up to watch video}

DE MÃE PARA PAI

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Recebi este email da mãe do meu filho:

No dia do Pai quem escreve é a mãe!

Neste dia comemoro a minha sorte imensa. Para mim o Pai não é uma figura, é uma instituição.

Tive a sorte de ter o melhor Pai, e o azar de o ter por pouco tempo. O meu Pai é o meu herói. Assumiu para ele a minha vida, só a morte quebrou o seu compromisso. O meu Pai levava-me para todo o lado. Desde ir comprar roupa até ao jantar com clientes. Ensinou-me a pregar um prego e o quão preciosa é a nossa honra e dignidade. Ensinou-me que podemos existir mesmo depois de morrermos. Ainda hoje o busco e às vezes até parece que conversamos. Nunca está longe mas é a pessoa de quem mais tenho saudade.

Tive a bênção de encontrar a única pessoa capaz de ser tão bom Pai quanto o meu foi. Tive a felicidade de o escolher para Pai do meu filho. O Pai do meu filho é o melhor Pai do mundo. No joke! Não é clichê, é a mais pura das verdades. O Pai do meu filho está sempre presente, sempre. A sua prioridade é o meu filho. O Pai do meu filho renuncia de tudo para ele, ama-o de verdade e isso faz com que renuncie por amor, sem qualquer sofrimento. O Pai do meu filho ensina-o por exemplo, não lhe diz o que fazer, faz. O Pai do meu filho sabe brincar com GI Joes e nada deixa o meu filho mais feliz. O Pai do meu filho sabe contar as melhores histórias, melhores que as histórias dos livros. O meu filho pede-lhe “uma história da tua cabeça” porque sabe que são as mais divertidas. O Pai do meu filho foi Pai e Mãe durante o segundo ano de vida do meu filho. Desempenhou com excelência os dois papeis e ser-lhe-ei eternamente grata por isso. O Pai do meu filho é o seu companheiro preferido, é a primeira pessoa que o meu filho escolhe quer seja para andar de skate quer seja para fazer análises.

Tudo o que lêem neste blogue é uma pequeníssima amostra do que é o Pai do meu filho. É a maior dádiva que alguma vez poderei dar ao meu filho, o seu Pai.

Sem palavras.

THE RETRO SERIES: ESCOLHE UM IOUGURTE

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Dia de recordar bons momentos do passado. É dia de Retro Series onde recupero um post do meu blog antigo. Desta vez lembrei-me daquela vez em que escrevi sobre as epopeias que são as nossas idas às compras e a lição de vida que um iogurte pode dar. Hoje em dia, as idas às compras continuam. Já sabe escolher os ovos, comprar pimentos-padrão e pedir a carne no talho. Já não lambe é a fruta. Penso que desde que tentou lamber um kiwi.

Fica aqui o post escrito há 2 anos. Enjoy.

– “Filho, vens com o pai?”
– “Siiiiim”

É a resposta sempre que vou às compras agora. Comecei a levar o meu filho às compras comigo. Vamos os dois. Achei que seria boa ideia. Assim juntava o útil ao agradável. Fazia as compras, passávamos tempo juntos e ainda o ensinava umas coisas.
Se eu já demorava a fazer compras antes, agora isto tornou-se numa epopeia. Saímos e vamos direito ao hipermercado. Pelo caminho espeto com o CD dos Clash. O dos Ramones ardeu juntamente com o meu último carro. Cantamos pelo caminho. Chegamos e estacionamos. Dou-lhe uma moeda, pego-o ao colo e deixo-o destrancar o carrinho de compras. Meto-o lá dentro e aí vamos nós. Ele leva a lista na mão. Olho para ele no carrinho e parece um comandante na proa de um veleiro. Primeiro vamos à secção dos brinquedos. Despachar o assunto. Deixá-lo mexer em tudo. Depois de agarrar em todos os brinquedos e de os estudar meticulosamente, volta a metê-los nas prateleiras. Sem birras nem choros. Nisso sempre foi assim. Sou capaz de o levar ao Toys R’Us e sair de lá sem lhe comprar nada sem stress nenhum (só aconteceu uma vez na loja da Disney mas não quero falar sobre isso). Adiante. Depois da secção de brinquedos, vamos ao que aqui viemos. Vamos direito à secção de frutas e legumes. Lá ensino-o a escolher, ao mesmo tempo que lhe ensino os nomes e as cores. Courgettes, cenouras, alho francês, tomates. Morangos, bananas, laranjas, maçãs. Deixo-o pôr nos sacos. Ele adora. É metódico e exigente a escolher fruta e vegetais. Agarra nas peças, encosta-as ao nariz e dá-lhes uma snifadela. Depois de cheirar, lambe-as para perceber o sabor. Não se preocupem. A gente leva todas as que ele lambe. E quanto aos micróbios que possam estar na fruta, esses não têm hipóteses. No worries. Depois vamos à carne e ao peixe. Na peixaria, vou-lhe mostrando os peixes todos em exposição. Vou-lhe ensinando os nomes. A seguir vamos aos iogurtes. Escolho os que quero. E depois deixo que ele escolha uns que ele queira. Normalmente já sei se ele vai gostar ou não dos que escolhe. Mas isso pouco me interessa. Levo-os na mesma. Porque quero que ele perceba que nem tudo o que parece bom é. E nem todas as escolhas que fazemos são as acertadas. E começa-se assim. Com iogurtes. Fazemos o resto das compras e vamos para a caixa. Deixo que seja ele a enfiar o cartão MB na máquina e retirá-lo. Vamos para o carro. Compras no porta-bagagens. E vamos até mais 2 supermercados, porque não faço as compras todas no mesmo. E a cena repete-se. Chegamos a casa com sentimento de dever cumprido.

Porque é que interessa isto tudo? Porque um dia vou-lhe perguntar “filho, vens com o pai?” e a resposta dele não vai ser “siiiiiim”. Porque o tempo que passamos com os filhos às vezes é escasso. E temos que fazer o melhor com esse tempo. Porque pequenas lições hoje serão grandes valores amanhã. E pode se começar já hoje com iogurtes.

O PRESENTE PARA ACABAR O DIA

Dia especial o de ontem para a minha mulher. Eu e o meu filho dedicámos o final do dia todo a ela.

  • Ao sairmos da escola do miúdo no final do dia para ir para casa, vou direito para a porta do pendura:

Ela_ Vou eu a conduzir?

Eu_ Porque hoje é dia da mulher, hoje tens o direito a levar tu o carro para casa. Não é fixe?

  • A caminho de casa:

Ela_ O que jantamos hoje?

Eu_ Porque hoje é dia da mulher, hoje tens o direito a fazer o jantar. Não é fixe?

  • Ainda a caminho de casa:

Ela_ Então o que querem que eu faça para jantar?

Eu_ Não sei. Filho, o que queres comer hoje?

O meu filho_ Burritos!

Ela_ Mas então temos que passar na loja para comprar os ingredientes.

Eu_ Porque hoje é dia da mulher, hoje tens o direito de ir ao supermercado comprar as coisas. Não é fixe?

  • Na loja:

Ela_ Já tenho tudo. Vamos pagar. Tens aí o cartão do Continente?

Eu_ Não trouxe a carteira. Hoje como é dia da mulher, tens o direito a pagar as compras. Não é fixe?

  • Em casa:

O meu filho_ Mãe, fiz-te um presente na escola para o Dia da Mulher:

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Eu_ Não é fixe?

 

NÃO É SÓ MAIS UM DIA

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Mary Ann Hawkins, uma das primeiras mulheres surfistas nos anos 30 num meio onde só se viam homens. Era sempre a única mulher no line-up.

Há pessoas que acham que este dia não devia existir. Há pessoas que não querem um dia para as mulheres. Há pessoas que se esquecem do que significa um dia da mulher. Há pessoas que acham que um dia da mulher anula a mulher em todos os outros dias do ano. Há pessoas que não sabem o que dizem. Há pessoas que não percebem que o que anula as mulheres não são dias. São outras mulheres. E outros homens. Há pessoas que não sabem que o dia da mulher não é a celebração da mulher só por si. É muito mais. Celebra a realização e as conquistas das mulheres. Que não foram poucas. Celebra as mulheres e os homens que desde sempre lutaram e lutam pela igualdade de oportunidades, direitos e deveres entre todos e todas. Celebra muito mais do que paridade na política e no emprego. Celebra a Billie Jean King, a Amelia Earhart, a Rosa Parks, a Marie Curie, a Malala, a Patti Smith, a Madonna, a Christy Mack, a Sally Ride, a Marilyn Monroe, a Joan Baez, a Patti McGee, a Mary Ann Hawkins, a Katharine Hepburn, a minha mulher, a minha mãe, as minhas irmãs e as minhas sobrinhas. E celebra todos os homens que estão ao lado e do lado das mulheres na constante luta pela igualdade. Pela igualdade mesmo. Não é a igualdade numérica. Não é a igualdade 50/50. É a igualdade de oportunidades e circunstâncias. É a igualdade em apanhar uma onda. A igualdade em descansar os ossos quando um filho chora a meio da noite. A igualdade em vestir o que se quiser sem ouvir puta ou ordinária. A igualdade numa one night stand. A igualdade a pagar a conta. A igualdade a beber uma cerveja. A igualdade a sentar no sofá quando se chega a casa. Now that’s fucking equality.

Ah e tal, isso é tudo muita giro mas e tu, o que é que fazes pela igualdade? Nunca mandaste uma piada sexista?

Já sim senhor. Não sou perfeito e não vou receber nenhum Nobel. Mas não sou hipócrita. Penso nas coisas. Tento mudá-las quando é preciso mudá-las. Pequenos detalhes mostram como culturalmente estamos condicionados até nas coisas mais básicas. Por exemplo, o outro dia pus-me a pensar porque raio sou sempre eu que conduzo quando andamos de carro juntos. Assume-se automaticamente que o homem é que leva o carro. Então expus a situação e decidimos que levamos o carro à vez. Mais um pequeno passo para a igualdade de género. E um grande passo para mim que posso passar pelas brasas em viagens longas ou esticar as pernas e curtir a paisagem. Por outro lado sou eu que me levanto cedo ao fim-de-semana para a minha mulher ficar na cama e trato do miúdo e do pequeno-almoço. É que ninguém faz pequenos-almoços como eu. Excepto talvez o Four Seasons Resort. Quem é que diz que não ficamos todos a ganhar?

Bom Dia da Mulher para todas e todos.

SOM DAS SEXTAS

Hoje é sexta-feira. Por isso e porque gosto de partilhar o que é bom, deixo-vos aqui o novo album “You and I” do Jeff Buckley que sai no dia 16, para ouvirem, cortesia do NPR Music e minha também. É clicarem na capa do disco ali em baixo. Vão lá e tenham um excelente fim-de-semana.

*Pequeno enquadramento para quem não sabe. Comprei o primeiro album de Jeff Buckley em 1994. Foi o primeiro CD que comprei na vida. Ele morreu uns anos depois em 1997 com 30 anos. Afogado no rio Mississippi. Era filho do Tim Buckley (músico dos anos 60) que morreu também cedo aos 28 anos. Este albúm que sai para a semana é de músicas que ele gravou antes de lançar o seu primeiro e único album. São músicas que nunca foram lançadas antes. A maior parte são covers. E são verdadeiras obras primas.

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