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Caraças filho. Isto tem sido a aventura da nossa vida. Tu teres nascido foi assim como se o mundo tivesse parado e recomeçado de novo. Há um antes e um depois. O antes foi brutal. Tive uma infância boa e tenho uma história de vida que não fica atrás. Daquelas que dá para boas histórias e que tu tanto gostas de ouvir. Mas o depois, epá o depois, o depois é épico. Tu és épico. Passaram 6 anos desde que te vi e cabias-me nas duas palmas das mãos. Eras pequeno. uns míseros 1.9 kg.  Achaste que tinhas de conhecer o mundo quando tu querias e não quando tinha de ser. Mas agora que te conheço há 6 anos, como diz a tua mãe, “um miúdo como tu não poderia ter vindo ao mundo de maneira mais espectacular“. Percebo agora que não é defeito, é feitio. És atirado. Corajoso. E determinado como um raio. Grandes cagaços e grandes conquistas é o que se vai ler no teu CV. Tens um carisma que vai muito além da tua tenra idade. Tu nem sabes. Mas quem te conhece, vê e sente. E tens um coração com amor e energia suficiente para iluminar este planeta caso um dia houvesse uma falha de luz geral no mundo. De uma compaixão pelo próximo que às vezes questiono-me se tens mesmo 6 anos. Digo-te muitas vezes que tenho muito orgulho em ti. Mas é que tenho mesmo. Tiras-me do sério às vezes, como um miúdo tem de tirar. Dás-me cabo da paciência às vezes, como um miúdo tem de dar. Abraças-me com a força de um gigante, como um pai gosta de sentir. Dizes-me que me adoras e que sou o melhor pai do mundo, como um pai gosta de ouvir. Respeitas a natureza e cada bicho como se fosse da tua família. Respeitas as outras pessoas todas como se fossem todos teus amigos. E é por isso tudo que tenho tanto orgulho em ti. Feliz aniversário filho. Que o teu amor, a tua luz e a tua coragem contagiem sempre quem te conhece e quem te rodeia. Happy b’day son. Always be happy. Love you always.

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THE RETRO SERIES: COMO TER UM FILHO EM 3 PASSOS DIFÍCEIS “O PARTO E O RESTO”

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Dia especial este. O meu filho faz anos. 6 anos. Foram 6 anos incríveis que se passaram. Cheios de tudo. E começou tudo de uma forma mais ou menos atabalhoada. Por isso, e a pedido da mãe, hoje recupero o post do meu blog antigo onde falo do nascimento do meu filho. Foi a parte 3 de uma trilogia que na altura escrevi chamada “Como Ter Um Filho Em 3 Passos Difíceis“. Parabéns filho pelo caminho que fizeste até aqui. Parabéns mãe pela coragem, fé e amor que nos amparou a cada passo. Fica o post que escrevi na altura. Enjoy.

O parto. Ah, o parto. Hoje em dia é um evento familiar. Mãe a soprar e a fazer força enquanto agarra a mão do pai. Pai de bata hospitalar a tentar filmar o acontecimento sem desmaiar. Equipa médica concentrada mas de sorriso a ajudar o mais novo a vir cá pra fora da melhor maneira possível. Sai o bebé e colinho da mãe com ele, ainda cheio de nhanha e tudo. Mãe de lágrimas nos olhos com a sua cria deitada no peito. Pai pálido filma o momento. Ah, o parto. Nos filmes é assim. Mas sabemos bem que na vida real não rola bem desta maneira. O nosso filme então foi bem bem diferente. O que nos leva para o 3º e último passo de como ter um filho em 3 passos difíceis. O nosso filme rolou assim:

Passo 3: O parto e o resto.

Arranquei logo que recebi a chamada da minha mulher a dizer que se estava a esvair em sangue, que a equipa médica não conseguia parar a hemorragia e que tinham de tirar o meu filho já. Para salvar a sua vida e a da mãe. Estava ela com 7 meses de gravidez. 32 semanas para ser mais exacto.
Estacionei no primeiro lugar que me apareceu. E caguei para o ticket de estacionamento. Não tinha tempo para a EMEL. Entro na MAC e pergunto por ela. Olho para a cama onde ela costumava estar e estava vazia. Já sem lençóis e sem nada. Uma auxiliar entrega-me dois sacos pretos enormes cheios com os pertences da vida dela na MAC. Telemóvel, roupa interior, pijamas, laptop, DVDs, garrafa de água, diário, agenda, auricular, carregadores, fotografias. Todo o “mobiliário” dos últimos meses. A auxiliar leva-me até à porta do bloco operatório onde o milagre estava a acontecer. E ali fico. À porta, sozinho, sentado, com 2 sacos pretos enormes. Ninguém mais estava lá. Só eu. E o meu coração a bater na garganta.

Até que sai uma médica pela porta. Não tinha mais de 35 anos. Ou então estava muita bem conservada. Pára e olha para mim. Tira a máscara e aproxima-se com cara séria. Eu levanto-me e ela pergunta-me “é o pai?”. Eu respondo que sim, sou. Ela sem nunca tirar a poker face estica-me a mão e diz “parabéns, tem ali um belo rapaz”. Confesso que me caíram as lágrimas. Ela diz-me “só um bocadinho que a enfermeira já fala consigo”. E foi-se. Passado 1 minuto, saíram pela porta os restantes médicos. Eram uns 3 ou 4. Já não me lembro bem. Todos eles passaram, deram os parabéns sem parar e seguiram pelo corredor na conversa. Eu e os meus sacos ficámos ali à espera em pé, olhos fixados na porta. Ao que sai uma enfermeira com um bebé nos braços. Chega ao pé de mim e conheço o meu filho pela primeira vez. De todos os momentos mais emocionais que tive na vida, este foi sem dúvida o mais emocional. “É o seu menino” diz ela. “Parabéns pai. Correu tudo bem. Nasceu com Apgar 9, pai”. Enquanto ela falava eu não tirava os olhos dele. Queria abraçá-lo mas não podia. Eu tinha acabado de vir da rua, não estava desinfetado e ele estava fragilizado com as suas 32 semanas de vida e 1,9 kg de peso. Mas os meus olhos e a minha alma abraçavam-no e não o largavam. Era tão parecido comigo que fazia impressão. Só que com menos cabelo e sem barba. Lembro-me que tive uma sensação incrível, como se me estivesse a ver a mim próprio quando nasci. Uma espécie de déjà vu. Diz a enfermeira “peço desculpa pai, mas tenho de o levar já para os cuidados intermédios. Depois pode lá ir ter para vê-lo. A sua mulher está a recuperar da anestesia e já a pode ver daqui a um pouco. Aguarde só um pouco”. E seguiu com o meu filho pelo corredor a caminho da Unidade de Cuidados Intermédios. Fico ali. Os sacos e eu com lágrimas nos olhos. Ao que passados uns 5 minutos aparece uma enfermeira à porta com a minha mulher deitada numa maca. Vou direito a ela, dou-lhe um beijo e digo-lhe que a amo. Que é a mulher mais corajosa que conheço. E que correu tudo bem e que já vi o nosso filho. Ela ainda com a moca da anestesia geral, pergunta-me onde ele está. Eu explico-lhe que foi para a UC Intermédios mas que está tudo bem. Ela pergunta-me se ele é bonito. Eu digo-lhe que é de certa forma parecido comigo. Ela grita “O MEU FILHO É LINDO” a chorar e ainda drogada. A enfermeira interrompe dizendo que a tem de a levar para a sala de recuperação, que ela ainda está muito fraca. Tinha perdido muito sangue e ainda estava a sair do efeito da anestesia geral. E enquanto a enfermeira empurra a maca pelo corredor fora vou ouvindo a minha mulher a gritar pelo hospital “O MEU FILHO É LINDO”. Já tinha virado a esquina no fundo do corredor e eu ainda a ouvia. Foi das cenas mais lindas e hilariantes que vi na minha vida.

Vou a correr com os sacos atrás, direto para a UC Intermédios. Quando chego lá, já o meu filho estava na incubadora. Tubo no nariz, a dormir de barriga para baixo. E tirei-lhe a primeira foto. Fico ali. Apaixonado a olhar para ele. Cara grudada no vidro da incubadora como os putos fazem quando vão ao Oceanário.

Entretanto a minha mulher recuperava da cirurgia e da anestesia geral. Tinha perdido muito sangue e portanto estava muito fraca. Só 6 horas depois é que teve autorização para ser levada de cadeira de rodas para ver o nosso filho pela 1ª vez. 6 horas depois ainda não tinha conhecido o filho. Lá foi ela no seu primeiro date com o Santiago. Não posso sequer imaginar o que sentia a caminho dos cuidados intermédios nem o que sentiu quando o viu pela primeira vez, sem poder agarrá-lo ou abraçá-lo. Ela já me tentou explicar. Mas faltam-lhe as palavras. Porque acho que não devem ter sido ainda inventadas. A meio da visita desmaiou. Estava ainda muito fraca. E foi levada de volta para a sala de recobro. No dia seguinte chego à MAC, bom dia e tal e vou direto à UC Intermédios. Chego lá e peço para ver o meu filho. A auxiliar vai à incubadora do meu filho e diz que ele já não está lá. Que tinha sido transferido para a UCI (Unidade de Cuidados Intensivos). Foi um soco no estômago. Perguntei o que se tinha passado. Ele diz que a médica já fala comigo. Então parece que os pulmões ainda estavam pouco maduros e não conseguia manter a respiração sem ajuda. Além disso, o peso dele tinha descido substancialmente porque ele não comia. Fui vê-lo à UCI. A UCI da MAC é incrível. Moderna e com uma apertada vigilância e monitorização 24 horas por dia. E lá estava ele. Todo entubado. Atado para não se mexer. Máscara de oxigénio na cara. Tubos no nariz e na boca. Sensores colados por todo o corpo. Agulhas espetadas nos braços minúsculos. Alimentado por um tubo pelo umbigo. Ainda hoje o meu coração aperta cada vez que me lembro do meu filho tão pequeno assim naquele estado. E eu sem poder fazer nada. O sentimento de impotência é avassalador. É contranatura. Então para colmatar a minha impotência, enchi o peito de fé, esperança e amor. E era o que eu lhe trazia todos os dias. Todos os dias lhe falava e dizia que tinha muito orgulho nele. Que ele era a pessoa mais corajosa do mundo. Que era o mais forte. E que eu e a mãe estaríamos sempre lá para ele. Tudo isto ao som dos beep-beep do monitores e do swoosh-swoosh do ventilador que lhe dava o oxigénio para ele respirar. Odiava aqueles sons. Ainda hoje quando os ouço só me lembro disso. Eu tornei-me especialista em ler valores nos monitores. Sentava-me lá ao lado e ficava a olhar ora para ele ora para os valores do monitor. Cada vez que os valores de O2 passavam abaixo de determinado limite que para mim era razoável, lá estava eu a chamar a médica. Fiz marcação cerrada à puta daquela máquina. E assim formam os dias seguintes.

Passados uns dias a minha mulher teve alta. Finalmente. Depois de semanas a fio internada podia sair. Quando entrou era verão. Fazia calor. E agora que ia sair, já o frio apertava. Mas ela pouco saboreou a saída. Porque o nosso filho ia ter de ficar. E já é difícil imaginar o que será para uma mãe ter um filho, completamente anestesiada, sem assitir a nada, ficar sem ele sem nunca o ter visto depois de ele ter nascido durante 6 horas. O difícil que será ficar acamada num quarto rodeada de mães com os seus filhos recém-nascidos ao colo e ela ali sozinha com o filho enfiado numa incubadora enrolado em tubos na UCI. Mas ter de sair daquele hospital e deixá-lo ali…. Voltar para casa sozinha comigo sem o nosso filho. Foi tremendo. Nunca vou esquecer os olhos dela enquanto voltávamos para casa. Há pouco tempo vi um video de um caso mais ou menos idêntico ao nosso, e há uma parte em que o marido filma os olhos da mulher quando voltam para casa sem o filho. E eu revi aquela cena exatamente.

E a nossa rotina continuava. Casa-MAC-casa. Tirei os dias a que tinha direito e passava os dias lá com minha mulher. Entretanto ele começa a melhorar. Começa a ganhar cada vez mais força e peso. E é finalmente transferido novamente para a UC Intermédios. E aqui fica durante mais alguns dias.

Passados alguns dias, ele é transferido para o Berçário. Acabou-se a incubadora. Acabaram-se os tubos, máquinas e monitores. Já tinha ganho peso e força suficientes para estar finalmente com os outros bebés. Antes ainda vi uma enfermeira tentar lhe tirar sangue para análises. Mas não encontrava a veia. Espetou-o em 4 sítios diferentes nos braços sem sucesso. Teve de lhe tirar o sangue pelo pé. Cada vez que ela espetava a agulha o meu coração rasgava. Mas estes putos são qualquer coisa de extraordinário. Incrível a resiliência e força deles. São mesmo uma força da natureza.

Agora já no Berçário as rotinas eram outras. Banhos já eram dados pela mãe (eu não dava porque adorava ver a felicidade e amor estampados no rosto da minha mulher ao lavar o filho num recepiente do tamanho de um tupperware). O leite também já era dado pela mãe. Aconchego e colo. Palmadinha nas costas para o arroto da praxe. Tudo a que tinha direito. E assim foi até dia 15 de novembro. 20 dias depois de ter nascido. Conseguiu chegar ao peso mínimo aceitável para ter alta e foi o 1º dia que o levámos para nossa casa. O entusiasmo de levarmos a mala com a primeira roupinha que ele ia usar é difícil de pôr em palavras. Nunca vou esquecer a cara da minha mulher a fazer-lhe a mala. Foi um dos dias mais felizes das nossas vidas. Estava um frio de rachar lembro-me. Mas o calor que trazíamos no nosso peito era suficiente para aquecer toda a Lisboa.

E assim se fez um filho em 3 passos difíceis. Foi uma aventura do caraças. Um carrocel de emoções. Uma monumental tareia emocional. Podia ter sido muito pior é certo. E todos os dias agradeço a sorte e felicidade de ter corrido como correu. Todos os dias sinto-me abençoado. E sei que Deus esteve do nosso lado. A cada passo. Se podia ter sido mais fácil? Podia. Mas não era a mesma coisa.

 

E agora que estive a relembrar e a recontar toda esta história, quero agradecer:

  • a toda a equipa da MAC (médicos, enfermeiros, auxiliares e seguranças) que foram a nossa família durante aqueles meses. Aos médicos e enfermeiros por nunca terem desistido de nós nem de ninguém que lá estava.
  • às mães que lá estavam pelo apoio mútuo e pela partilha de fé, esperança, amor e histórias.
  • à minha mulher por ser a mulher mais corajosa, determinada e forte do mundo. És a melhor mãe do mundo e uma mulher do caraças. E ainda diz que passaria por tudo outra vez.
  • e ao meu filho, por nunca ter desistido, pela resiliência, pela força, por me ter ensinado o que é lutar pela vida sem nunca baixar os braços. Acho que ainda não tens bem noção, mas és o meu herói.

Só mais uma palavra à EMEL, pela multa que me deram à frente da MAC e que mesmo depois de eu ter explicado toda a situação, mostraram inflexibilidade e intransigência: ide para a puta que vos pariu. Não paguei a multa nem pago, que a esta hora já prescreveu.

VAGABOND VACATION

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Já era tempo. Mais de 2 meses depois de ter posto fotos no instagram que suscitaram perguntas sobre onde eram aqueles sítios incríveis por onde durante 1 semana andámos, finalmente venho cumprir o prometido e falar dos sítios onde estivemos no verão.

Todos os anos vamos 1 semana para fora cá dentro. Optamos sempre por fugir da praia durante 1 semana no verão porque 1) vivemos na praia o ano todo e sabe bem mudar de ares; 2) não estou para pagar para ir para um sítio com confusão, trânsito, multidões, mau serviço e preços inflacionados; e 3) nesta família todos adoramos a natureza e de nos “perdermos” no meio dela.

Este ano decidimos ir para a zona da Serra da Estrela. Procurei e encontrei um sítio para ficar que era a nossa cara. Chão do Rio é um sítio incrível na sua simplicidade. Um sítio bonito, onde se respira paz, sossego e vida. Tem 5 casas de pedra e telhado de colmo com um charme do caraças por dentro e por fora. E mais uma casa grande que foi em tempos antigos um abrigo de cabras. As casas ficam à volta de uma piscina biológica em formato de lago, rodeada de nenúfares.

Mal chegámos o meu filho despiu-se e ficou de cuecas. Disse-me que aquilo parecia a aldeia do Mowgli do Livro da Selva, e por isso queria andar como o Mowgli. No final do 1º dia o meu filho perguntou-me se podíamos ficar ali a viver. Está tudo dito. A casa tem tudo o que se possa precisar, incluindo uma caixa com brinquedos para quem tem filhos. Até um tanque de pedra natural há no terreno para lavar roupa à antiga. Há btt’s para se usar [a única coisa que precisa de revisão pois estão um pouco mal-tratadas], um carrinho de mão para transportar bagagem ou para fazer cross-fit com o puto lá dentro, camas de rede à frente de cada casa para descansar os ossos, baloiços para os miúdos e para os adultos que são miúdos, tudo. Para o pequeno almoço há uma cesta com requeijão de ovelha da região, doce de abóbora caseiro, fiambre de aves, ovos caseiros de uma capoeira castiça ali ao lado, sumo, fruta, pão, manteiga e um bolo caseiro típico da zona. Ainda há café, leite e chá na casa. Pão fresco ainda quente é entregue todos os dias às 17h em cada casa dentro de um saco do pão. A água da piscina biológica é morna, fruto do sol de 37 graus que ali bate e não do xixi como noutros sítios no verão. É um sítio onde ao final do dia um miúdo pode andar no baloiço de corda pendurado no ramo do sobreiro enquanto se grelha uns costeletões no churrasco de pedra ali ao lado. Ou bater um sesta na cama de rede ao som dos pássaros e da brisa. Ou deitar de costas junto ao lago à noite a olhar para o maior desfile de estrelas que alguma vez vão ver no céu enquanto os grilos nos embalam. Esqueçam contar estrelas. É impossível, tantas que são.

Os dias para ali são quentes nessa altura do ano e as noites são amenas, que é o que se quer. Explorámos muito do que havia para explorar por ali. E muito ainda ficou por explorar. Descobrimos algumas das cascatas, ribeiras, poços e piscinas naturais mais incrivéis que vi. A beleza natural destes sítios é de rebentar a escala. Subimos encostas, fizemos caminhos improváveis, escalámos pedras, percorremos trilhos. Mergulhámos e nadámos nas águas mais cristalinas e puras que alguma vez vi. Tudo limpo, intocado, foi assim que encontrámos toda a zona envolvente da Serra da Estrela. Um orgulho e uma satisfação ver a natureza assim. A contrastar com muitas zonas costeiras no verão, que infelizmente caiem vítimas dos feios, porcos e maus.

Felizmente não houve incêndios enquanto lá estivemos. Infelizmente é uma merda que teima em não desaparecer nos meses quentes e que dá cabo do que mais lindo e puro temos e que me dá cabo também dos nervos.

Uma última palavra para a simpatia contagiante daquela gente por ali. A começar pela Catarina [dona e criadora do Chão do Rio], passando pela Dona Emília e pela Sofia que nos receberam tão bem, e toda a gente que fomos conhecendo e falando por aquela região, em Travancinha, na Lapa dos Dinheiros, em Loriga, em Seia e por ali fora. Da comida na região nem falo para não me dar a fraqueza.

Enfim, assim sim vale a pena. Sítios maravilhosos que temos aqui mesmo em Portugal. Gente boa por este país fora. É só quererem ir à descoberta. A vida é feita disto. De descoberta. So get living.

Chão do Rio fica na castiça aldeia de Travancinha a 14km de Seia.

Todos os outros sítios que descobrimos e conhecemos que aparecem nas fotos e vídeos ficam na região e não ponho aqui as coordenadas nem as direcções exactas porque 1) é difícil explicar exactamente; e 2) como se diz “it’s not about the destination, it’s about the ride“. Procurem e vão descobrir por vocês próprios. Vão adorar. De nada.