5 DICAS PARA PREPARAR UM MIÚDO DE MANHÃ

Processed with VSCO with f2 preset

 

Este blog está uma merda. Prova disso, foi ninguém me nomear para os prémios de Blog do Ano. Depois de ver alguns dos incríveis blogs nomeados é que percebi que a este blog falta tudo para estar ao nível intelectual, literário e crítico de um blog como um Poupadinhos & Com Vales, por exemplo. Por isso, decidi adoptar o modelo de uma revista tipo Máxima e fazer um post de dicas, a ver se assim um dia posso aspirar ao sonho de ser nomeado para os tão desejados e respeitados prémios. E como começaram as aulas há pouco tempo e um dos dramas que todos vivemos é arranjar e despachar os miúdos de manhã a horas, ficam aqui 5 dicas cá do burgo.

  1. Acordar depois da hora. O que é acontece quando uma pessoa acorda, olha para o relógio ou smartphone e vê que já passa da hora? Manda um pulo da cama e começa a correr pela casa fora a gritar com tudo e todos. Portanto, uma das melhores maneiras de um gajo se despachar de manhã é acordar depois da hora. Temos muito mais energia e força para arrastar o miúdo da cama pelo chão até à casa de banho com uma mão enquanto escovamos os dentes com a outra.
  2. Preparar as coisas na hora de sair. Ah e tal, preparar as coisas no dia antes… Bullshit. Nada dá uma pica de adrenalina mais intensa do que estar a preparar as mochilas, roupas, sapatos, lancheiras e malas do gym em cima da hora, enquanto se grita “come a torrada já te disse” ao mesmo tempo que se barra manteiga na carteira e se tenta desligar o despertador do iphone com o cotovelo que continua a tocar sem se calar. Um gajo sente-se logo vigorado, cheio de energia, como se tivesse mandado abaixo uma litrosa de café, daquele de cápsula preta que é mais intenso. [inserir patrocínio da Nespresso aqui. Ou é da Nescafé? Não sei. Mas inserir aqui]
  3. Fruta para o pequeno-almoço. Não dizem que a fruta faz bem? Que se deve comer ao pequeno-almoço? Então nada como ter uma banana ou maçã ou pêra que se possa usar como plano B quando já gritámos 15 vezes para comer a porra da torrada e beber o leite. É que é uma torrada com 4 cm. Como é que demora tanto tempo comer uma torrada daquele tamanho? “Toma lá uma banana. Comes pelo caminho.” [inserir patrocínio da Chiquita aqui]
  4. Ter gel em casa. Daquele para o cabelo. Descobri que é uma maravilha para tirar a franja dos olhos ao miúdo. Para quê perder tempo a pentear uma cabeça que não pára quieta? Um pouco de gel e ’tá feito. Outra alternativa é rapar o cabelo, mas estou à espera da primeira pandemia de piolhos para isso.
  5. Slip-ons. Sapato com um estilo clássico e uma pinta intemporal e é rápido a calçar. Se for da Vans têm mais style points, mas se for da H&M ou mesmo marca branca, também dá. Atacadores roubam pelo menos 30 minutos de “pára com o pé” e “deixa-me ser eu que não temos tempo para estares a tentar tu, ouviste“.

Cá está. 5 dicas para preprar um miúdo para a escola de manhã sem atrasos. Se isto não me garantir uma presença nos prémios de blog do ano, então não sei.

Para a semana deixo 5 dicas de como viajar com crianças sem querer desistir a meio, voltar para casa e obrigar a ficarem todos em casa durante 2 semanas a ver televisão.

Bom fim de semana.

Anúncios

DAY ONE (DO RESTO DA VIDA)

Processed with VSCO with f2 preset

vai haver dias bons

Processed with VSCO with f2 preset

vai haver dias maus

Primeiro dia de aulas. 1980. 8 da manhã. Cabelo corte à tigela. Calças azuis escuras, camisa azul clara e gravata. Sapato de tap dancer. Não fosse eu ser chamado para mostrar o meu melhor Fred Astaire. A minha mãe leva-me à escola. Uma escola que ia do 1º ano ao 9º. Ali fico a posar para a foto da praxe. Lancheira de metal na mão. Lá dentro não me lembro, mas deviam estar uma sandes de mortadela, um leite, e umas bolachas Chips Ahoy. Calma health freaks, eram os anos 80. O meu primeiro dia na 1ª Classe. Estava longe de imaginar que ali começava a minha caminhada escolar onde aprenderia algumas das coisas mais importantes na minha vida. Como por exemplo, centrar bem o papel higiénico na mão antes de começar a limpar o rabo. Ou como nunca me deixar intimidar por um ou uma bully. Ou como não comer o lanche do colega se a maionese cheirar mal. Ou como não embeiçar pela miúda mais popular, porque é sempre a mais convencida e é garantido que vai crescer e tornar-se uma sopeira. E ainda mais algumas coisas.

A primária (ou o 1º Ciclo, como os modernos gostam de chamar) é provavelmente a fase escolar mais dura das nossas vidas. Um gajo vem de brincar e pular o dia todo como se não houvesse amanhã, de sestas brutais a seguir ao almoço, de ter gente que nos ata os sapatos enquanto ali ficamos altivos de mãos à cintura como donos do mundo e a pingar do nariz pra cima da nuca do pobre coitado ou coitada, e de repente, passamos a estar sentados quase o dia todo, a ter de pôr a mão no ar para falar, a pôr a nossa própria comida numa bandeja e a procurar um lugar no refeitório como na penitenciária de San Quentin.

Com um bocado de sorte, conhecemos alguém já lá na escola e a cena corre melhor. Na pior das hipóteses, a única pessoa que conhecemos é o bully e não é pelos abraços que ele dá. Se a sorte estiver mesmo do nosso lado, temos uma daquelas professoras que são como a nossa Tia Maria, queridas e preocupadas. Tão fixes que ainda hoje com 4o anos lhes chamamos professora quando a encontramos na rua. Se tivermos azar, apanhamos um daqueles ou daquelas amargurados que ganham uma merda e foram colocados a não-sei-quantos-kms de casa num sítio onde não conhecem  ninguém e por isso têm pouca paciência para 20 minions que não sabem bem ao que vieram. É duro.

Por isso, quando fui buscar o meu filho à escola e lhe perguntei como é que tinha corrido, bem, mal ou médio, e ele respondeu “muitíssimo”, respirei de alívio. Sei que não vai ser sempre assim. Vai haver dias que o bully lhe vai estragar a manhã. E a camisola. Vai haver dias que aquele empadão instantâneo não vai cair bem. Que a única coisa que vai cair bem é a cara no chão. Vai haver dias de orgulho ferido e mãos esfoladas, de autocolantes vermelhos e recados no caderno diário. Mas vai haver também muita coisa boa. Amigos para a vida. Golos memoráveis. Chegadas à meta em primeiro. 100 por centos. “Satsifazes muitos”. E pais orgulhosos. É assim. Good days e bad days.

Para já começou bem. Começar mal logo na partida ninguém quer. Mas mesmo que aconteça começar mal nalguma coisa na vida, é lembrar que o Usain Bolt começa sempre mal na partida. E leva sempre a medalha. Enquanto que o bully dele está em casa dos pais alapado no sofá a enfardar Doritos com cerveja a vê-lo na TV em cima do pódio de braços no ar, medalha d’ouro ao peito, com a bandeira da Jamaica às costas. That’s life.