MEU QUERIDO MÊS DE AGOSTO

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being a surfer is not being an asshole

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Ahhhhh… Mais um mesinho e isto acaba. Não me entendam mal. Gosto do verão. Sabem bem as temperaturas mais quentes, a cerveja geladinha, o peixinho grelhado na rua, sushi na esplanada, surfar de calções (mesmo que seja só por meia hora). Gosto disso tudo. E viver na Ericeira, significa ter de partilhar isso com muita gente. Com muita gente mesmo. Partilhar as praias e as ondas com muita gente é coisa que acontece um pouco todo o ano, mas no verão bate a escala. É assim mesmo. Nada a fazer. Como meca e reserva mundial de surf, bate cá muita gente. De dentro e de fora. Eu não sou “local” original. Não cresci aqui e vim cá parar já velho. Já com o meu filho vai ser diferente. Mas eu, mesmo sendo um “transplantado“, trago comigo sempre para onde vou viver uma coisa da qual não abro mão. Respeito. Respeito pelo sítio onde vou viver. Respeito pela sua gente. Respeito pela cultura, pela natureza, pela comunidade. Passo o mesmo ao meu filho. Desde muito cedo que ele aprende a trazer com ele o respeito. Vá onde for. E se é verdade que uma pessoa que viva num sítio destes já sabe que tem de levar com enchentes nas praias, estacionamentos lotados, filas de trânsito e supermercados à pinha, há uma coisa que não tenho de levar. Nem eu nem ninguém. Falta de respeito. E é por isso que fico aliviado com a debandada geral que no final do mês de agosto se dá aqui na Ericeira.

Já se sabe que grunhos e idiotas comportam-se como grunhos e idiotas, mas fico lixado quando vejo gente que devia dar o exemplo a fazer merda. E se alguém devia dar o exemplo na Ericeira sobre o civismo e o respeito pela natureza e pela comunidade somos nós os surfistas. Quem faz surf, sabe que viajar à procura de ondas faz parte do nosso DNA. O mar, as ondas e as terras que as albergam são onde passamos alguns dos nossos melhores e mais memoráveis momentos. Por isso quando vejo chegar o verão e com ele “surfistas” a deixar lixo por onde passam, a estacionar em cima de dunas e falésias, e a cagarem-se de alto para quem está na praia ou na água também para gozar o dia, fico na merda.

Até o meu filho de 5 anos vê. Já lhe tive de explicar a diferença entre um surfista a sério e um kook*. E desenganem-se, não é pela experiência que se distinguem. É pela atitude. Nos meses de verão então é kooks a dar com um pau. Algumas chamadas “escolas” de surf também têm responsabilidade. Porque a 1ª lição que deviam dar antes ainda de contar as notas que as turmas de 20 alunos lhes deixam nas mãos, é a do respeito. Antes de lhes ensinar a arrastar as pranchas pela areia, deviam lhes ensinar que respeitar a natureza e as pessoas à sua volta é o primeiro passo para ser um surfista. Mas muitas escolas estão tão ávidas a fazerem contas enquanto salivam com cifrões nos olhos, que se esquecem disso. Eu este ano vi de tudo. Alunos com fatos vestidos ao contrário, várias turmas de mais de 15 pessoas de uma vez a “aquecerem” em cima das outras pessoas, centenas dentro de água a varrerem tudo e todos que lhes aparecem à frente, lixo deixado no chão no final da sessão. Uma puta de vergonha.

Felizmente não são todas as escolas. Há escolas boas, com sentido ético, preocupadas com o respeito. Também as vi. Distinguem-se bem as escolas que valorizam qualidade acima de quantidade. A essas, congrats. Por estarem a dar uma boa experiência a quem quer aprender, mostrando o que realmente é o surf. Porque quando se diz, que o surf é mais que um desporto, que é um estilo de vida (frase tão usada nos anos 80 e no Point Break mas que apesar de cliché não deixa de ser verdade), significa também que além de conseguir surfar uma onda, um surfista é alguém que respeita a natureza, o mar, e todos os que vivem dele e nele.

Por isso, apesar de ser um transplant, fica a minha To-Do List para quem visita a Ericeira, ou qualquer outro sítio para surfar:

  • Não deixem lixo. Apanhem a merda que fazem que os outros não são vossos criados e o planeta é de todos e de todas. Eu e o meu filho estamos fartos de apanhar lixo que não é nosso. Escolas de surf, abram os olhos e não deixem isso acontecer. Ensinem a respeitar a natureza e dêem o exemplo.
  • Quando uma falésia ou uma duna tem um sinal a dizer “Não estacionar ou circular em cima das falésias ou dunas“, signifca não deixar o carro lá estacionado nem circular lá. Parece elementar mas há gente básica que não percebe. As dunas e as falésias devem ser preservadas.
  • O mar no verão é frequentado por todos. Surfistas, bodyboarders, SUPs, veraneantes, nadadores, mergulhadores, crianças. O mar não está reservado exclusivamente para as escolas de surf, nem para kooks, nem para ninguém. O espaço é para ser partilhado. Bom senso, é só isso que é preciso. E civismo.
  • A praia é para todos e todas. O meu filho pode estar a brincar na areia sem ser abalroado por um grupo de kooks com os fatos mal-vestidos a galoparem pelo areal como se fossem cavalos selvagens? Bom senso. É fácil.
  • Um kook em cima de uma prancha desgovernada pode matar uma criança ou magoar seriamente alguém. Aprendam a olhar à volta. E escolas de surf, ensinem a estarem atentos ao que os rodeia.
  • Quando visitam uma terra que não é a vossa, respeitem a sua gente e a sua terra. Não façam merda, não arranjem confusão, não poluam, não gritem às 4 da manhã feitos estúpidos, não vandalizem, não dropinem.

Toda a gente que faz surf já foi kook ou principiante de uma maneira ou de outra. Mas nem todos foram parvos.

 

*Kook: um indivíduo com pouco ou nenhum conhecimento das normas e regras sociais do surf, e isso inclui respeito pela natureza, pelos locais e pela comunidade. Na água, a ignorância básica de um kook representa um perigo iminente para surfistas e outros na água; kooks podem ser reconhecidos pelos faux pas que regularmente exibem dentro e fora de água, como por exemplo ir fazer compras ao supermercado com o fato vestido como este kook que fotografei este verão:

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Ahhhhh… Just another month and it’s over. Don’t get me wrong. I like summer. It’s got things going for it. I enjoy the warm weather, an ice cold beer, grilled fish outside, sushi in the seafront, surfing in boardshorts (even if it is for just half hour). I enjoy all that. And living in Ericeira means sharing all that with lots of people. I mean lots of people. Sharing the beaches and the waves with the crowd is something that happens a little bit throughout the year. But come summer, it really gets overwhelming. That’s just the way it is. It is what it is. As a World Surfing Reserve, Ericeira gets visited by lots of people. From here and abroad. I’m not an original “local“. I didn’t grow up here and moved here already an old fart. My son on the other hand will grow up as a local. But even though I’m a “transplant“, I carry with me something everywhere I move to, something I’m not willing to compromise. Respect. Respect for the place I am going to live. Respect for its people. Respect for the culture, for the environment, for the community. I pass that over to my son. Since a very early age he’s been learning to carry with him respect wherever he goes. And if it’s true that living in a place like this means dealing with crowded beaches, packed parking lots, nerve wrecking traffic and overcrowded stores in the summer, there’s one thing that I don’t have to put up with. Neither does anyone else. And that’s disrespect. That’s why I’m relieved with the full-on retreat that we see here in Ericeira come the end of August.

It’s a given that assholes and turds will be assholes and turds, but what really pisses me off is when those who should give the example are the ones doing shit. And if someone should set the example in Ericeira on respect for the environment and the community, it’s us surfers. Those who surf know that travelling searching for waves is part of our DNA. The sea, the waves and the towns that harbor them are where we live some our best and most memorable moments. So I get proper pissed when I see summer coming and with it “surfers” that litter, drive and park on protected cliffs and dunes, and just don’t give a rats ass about whoever is on the beach or in the water to enjoy the day.

Even my 5 year old son sees it. I had to explain to him the difference between a real surfer and a kook*. And it’s not the experience that sets them apart. It’s the attitude. Summer months are kook havens. Some so-called Surf “Schools” are also responsible. Because the 1st lesson they should teach even before counting the cash from their 20 student classes, is respect. Before teaching them to drag their softboards across the sand, they should teach newcomers that respect for nature and for the people around them is the first and foremost step in becoming a surfer. But many schools are just so avid counting cash with dollar signs (or euro signs in this case) in their eyes, that they forget. I saw it all this year. Students with their wetsuits on inside-out, classes with over 15 kooks at a time “warming up” on top of people, hundreds swarming the line-up and just taking out anyone and everyone who got in their way, garbage left behind on the floor after the session. A damn disgrace.

Fortunately, not all schools are like that. There are good surf schools, with a proper sense of ethics, concerned with respect. I also saw these. You can easily  tell the difference between a school that’s focused on quality as opposed to quantity. To these, congrats. Congrats on giving a good experience to those who are learning, showing them what surfing really is about. Because when we hear that surfing is more than a sport, that it’s a way of life (an expression so popular in the 80’s and in Point Break, that even though it’s cheesy, it is kinda true), that means that a surfer not only is someone who rides a wave, he or she is also someone who respects nature, the sea, and all those who live from it or in it.

So, although I’m a transplant, here’s my To-Do List for all those willing to visit Ericeira, or any other place to surf:

  • Do not litter. Pick up the shit after you, because others are not your slaves and the planet belongs to everyone. My son and I are tired of picking up garbage left by others. Surf schools, open your eyes and don’t let it happen. Teach respect for the environment and set the example.
  • When a cliff or dune has a sign reading “do not drive or park on cliff or dune”, that’s exactly what it means. It may seem basic, but some basic people just don’t fucking get it. Cliffs and dunes should be preserved.
  • The ocean in the summer is used by all. Surfers, bodyboarders, SUPs, beach-goers, swimmers, divers and children. The sea is not reserved exclusively for surf schools, kooks, nor anyone else. It should be shared responsibly. Common sense, that’s all that’s needed.
  • The beach is for everyone. Can my son play in the sand without being run-over by a gang of kooks with their wetsuits on backwards as if they were a band of wild horses? Common sense, it’s easy.
  • A kook on a runaway board can kill a child or seriously hurt someone. Learn to look around. And surf schools, teach your classes to be aware of their surroundings.
  • When visiting a new place, respect it’s people and their town. Don’t fuck up, don’t cause confusion, don’t pollute, don’t yell and be rowdy at 4 A.M. like an asshole, don’t vandalize, don’t drop in or burn others.

Anyone who surfs was a kook or a beginner at some point. But only some are assholes. Don’t be that guy.

 

*Kook: an individual with no understanding of the social rules and norms of surfing, and that includes respect for nature, for locals and the community. In the water, a kook’s cluelessness can endanger surfers and others; kooks can easily be recognized by the faux pas they commit in and out of the ocean, such as grocery shopping with your wetsuit on like this kook I saw this summer in the photo above.

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