A VIDA EMOCIONAL DE UM PAI

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canudo ou não, este sorriso é o que me inspira

Lembro-me de uma altura em que não tinha filho. A vida parecia fácil. Mas também parecia dura. Os sonhos e o dinheiro nunca chegavam. O coração partia com o bater da porta e arranjava-se com um novo beijo. A noite era para acordar, a manhã para dormir e as tardes eram para o que desse e viesse. Mas quando penso nas coisas que me fizeram chorar de emoção, nas coisas que me encheram o peito até doer, nas coisas que me abalaram os ossos, não me lembro de muitas. Aliás, não me lembro praticamente nenhuma. Lembro de chorar a sério quando o meu avô morreu e de sentir um vazio que mais parecia vácuo do qual achei que não ia sair. Tirando isso, não me lembro de outro momento que me tenha encostado à parede pelos colarinhos.

Quer dizer, claro que houve aqueles momentos quando era miúdo em que o mundo implodia ou explodia. Como o dia em que dexiei com 10 anos a minha mãe e as minhas irmãs noutro lado do oceano e fui viver para outro país. Essa custou. Enfim, e aqueles momentos normais de tragédia e glória infantil como paixões e despaixões, brinquedos perdidos, golos marcados. Mas tirando esses momentos quando era mais novo e a morte do meu avô já em adulto, não me lembro de outros momentos de sismos emocionais. Até ser pai.

Quando o meu filho nasceu, conheci todo um mundo de emoção que raios-me-partam. Começou com o dia em que a minha mulher me dá um presente para abrir e lá dentro tinha um micro-gorro a dizer “I Love Dad“. A partir daí foi um vê-se-te-avias. O dia que nasceu. O internamento dele. A alta dele. O dia que dormiu pela primeira vez em casa ao nosso lado. Todos os abraços. Todos os “eu amo-te pai” e “pai, gosto muito de ti“. Em 5 anos tenho me emocionado mais vezes do que na minha a vida toda para trás.

Mas para ser franco, não achei que me fosse emocionar quando ele acabasse a Pré. Afinal de contas, é a Pré, porra. Não é propriamente um MBA em Harvard. Como eu estava enganado. Quando o vi, vestido como um mini-Steve Jobs, soube logo que esta merda de passar a vida a chorar de emoção nunca vai parar. É assim a vida emocional de um pai.

E assim foi. O meu filho licenciou-se. Fica já despachado. ‘Tá feito. Mas com ou sem canudo, é o sorriso dele que mais me emociona acima de tudo. É sempre o sorriso dele.

Proud of you my son.

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