NÃO É SÓ MAIS UM DIA

Mary_Anne_Hawkins

Mary Ann Hawkins, uma das primeiras mulheres surfistas nos anos 30 num meio onde só se viam homens. Era sempre a única mulher no line-up.

Há pessoas que acham que este dia não devia existir. Há pessoas que não querem um dia para as mulheres. Há pessoas que se esquecem do que significa um dia da mulher. Há pessoas que acham que um dia da mulher anula a mulher em todos os outros dias do ano. Há pessoas que não sabem o que dizem. Há pessoas que não percebem que o que anula as mulheres não são dias. São outras mulheres. E outros homens. Há pessoas que não sabem que o dia da mulher não é a celebração da mulher só por si. É muito mais. Celebra a realização e as conquistas das mulheres. Que não foram poucas. Celebra as mulheres e os homens que desde sempre lutaram e lutam pela igualdade de oportunidades, direitos e deveres entre todos e todas. Celebra muito mais do que paridade na política e no emprego. Celebra a Billie Jean King, a Amelia Earhart, a Rosa Parks, a Marie Curie, a Malala, a Patti Smith, a Madonna, a Christy Mack, a Sally Ride, a Marilyn Monroe, a Joan Baez, a Patti McGee, a Mary Ann Hawkins, a Katharine Hepburn, a minha mulher, a minha mãe, as minhas irmãs e as minhas sobrinhas. E celebra todos os homens que estão ao lado e do lado das mulheres na constante luta pela igualdade. Pela igualdade mesmo. Não é a igualdade numérica. Não é a igualdade 50/50. É a igualdade de oportunidades e circunstâncias. É a igualdade em apanhar uma onda. A igualdade em descansar os ossos quando um filho chora a meio da noite. A igualdade em vestir o que se quiser sem ouvir puta ou ordinária. A igualdade numa one night stand. A igualdade a pagar a conta. A igualdade a beber uma cerveja. A igualdade a sentar no sofá quando se chega a casa. Now that’s fucking equality.

Ah e tal, isso é tudo muita giro mas e tu, o que é que fazes pela igualdade? Nunca mandaste uma piada sexista?

Já sim senhor. Não sou perfeito e não vou receber nenhum Nobel. Mas não sou hipócrita. Penso nas coisas. Tento mudá-las quando é preciso mudá-las. Pequenos detalhes mostram como culturalmente estamos condicionados até nas coisas mais básicas. Por exemplo, o outro dia pus-me a pensar porque raio sou sempre eu que conduzo quando andamos de carro juntos. Assume-se automaticamente que o homem é que leva o carro. Então expus a situação e decidimos que levamos o carro à vez. Mais um pequeno passo para a igualdade de género. E um grande passo para mim que posso passar pelas brasas em viagens longas ou esticar as pernas e curtir a paisagem. Por outro lado sou eu que me levanto cedo ao fim-de-semana para a minha mulher ficar na cama e trato do miúdo e do pequeno-almoço. É que ninguém faz pequenos-almoços como eu. Excepto talvez o Four Seasons Resort. Quem é que diz que não ficamos todos a ganhar?

Bom Dia da Mulher para todas e todos.

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2 thoughts on “NÃO É SÓ MAIS UM DIA

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