O DIA DE AMOR DO ANO

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Se calhar não vou a tempo. Mas ainda assim, queria falar do dia dos namorados. Porque dia dos namorados é quando eu quero. Apesar deste ano calhar num domingo. Tenho a certeza que foi um dia maravilhoso para muitos casais. Passear de mão dada. Selfies a dois com o mar ao fundo. Flores em cada esquina. Postais com cupidos. Restaurantes cheios. Hotéis cheios. Corações cheios. Foi um dia de amor.

Eu que sou um gajo muito atento a estas coisas tinha um domingo inteirinho preparado para isto. Acordar às 6 da matina. Preparar um granda breakfast, daqueles continentais, com sumo de laranja, chá, scones, torradinha com manteiga, queijinho, fiambre, ovinho mexido, mel e uma flor. Ia preparar a música (o Dance Me to the End of Love do Leonard Cohen claro) para a acordar com uns beijinhos no pescoço enquanto o sol espreitava por entre as cortinas. Ia levá-la pela mão, seguindo o caminho de pétalas que dispus cuidadosamente no chão e que nos levavam até à kitchenette onde tinha o breakfast continental à nossa espera. Antes de nos sentarmos, dançávamos lentamente, bem juntos, ao som do Leonard Cohen, que estava a cantar só para nós. Comíamos em silêncio sereno, pautado apenas por beijinhos e festinhas na mão e o sorriso cúmplice quando o Leonard Cohen cantava “touch me with your naked hand“. Depois de comermos, dizia-lhe que tenho uma surpresa. E começei a abanar. A abanar, a abanar…

Ela_ Ouve lá, acorda! Estavas a sonhar com o quê? Estavas a cantar Leonard Cohen?

Eu_ Porra não me digas nada! Porque é que me acordaste?

Ela_ Então, porque estavas a cantar Leonard Cohen!

Eu_ Estava a sonhar que te tinha preparado um daqueles dias dos namorados, daqueles à pinga-amor.

Ela_ Tu? Pra mim?! Desde quando?

Eu_ Sei lá. Eu não ando bem. Não te rias. E a seguir ia te dar uma surpresa.

Ela_ O que era?

Eu_ Não sei. Acordaste-me.

Ela_ Fosse o que fosse, tu não me faças uma cena dessas.

Eu_ Qual cena?

Ela_ Um dia dos namorados à pinga-amor.

Eu_ Não te preocupes. Este até metia pétalas, música, fofices e até um pequeno-almoço continental.

Ela_ Um pequeno-almoço continental?

Eu_ Sim. Daqueles com tudo.

Ela_ Panquecas também?

Eu_ Não me lembro, mas se calhar tinha.

Ela_ Estás à espera de quê?

Eu_  Haha. Esquece. Tenho uma ideia melhor. Saltamos o pequeno-almoço e…

« Pai!!! Paaaaiiiii! Já acordei! Podes brincar comigo? »

Eu_ É o nosso filho?

Ela_ É.

Eu_ São 7 da manhã?

Ela_ São.

Eu_ Ainda bem que não ligamos ao dia dos namorados.

É que não há ano nenhum porra.

 

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