CARTA ABERTA A UM AVÔ E A UM PAI

POR AQUI_2

Avô e pai que se cruzaram comigo ontem,

A lição que deram ontem às crianças que vos acompanhavam é um atestado à mais básica estupidez humana. Ontem, as duas crianças que cada um de vocês levava pela mão assistiram no espaço de 1 minuto a vários exemplos da elementar falta de valores, da fundamental falta de responsabilidade e da falta do mais básico senso comum. Tenho pena por elas. Tenho a certeza que vocês são para elas modelos de conduta, e com base naquilo que esses miúdos viram ontem, a possibilidade de repetirem tamanha estupidez é grande, o que é uma pena. Porque na melhor das hipóteses fará delas seres humanos básicos sem sentido de civismo ou na pior das hipóteses poderá lhes custar a vida.

Explico para que seja mais claro, uma vez que com base no que vi ontem o vosso nível intelectual está ao nível dos calhaus nas pedreiras. Quando se atravessa uma estrada devem fazê-lo numa passadeira. É certo que nem sempre isto é possível. Quer por sermos preguiçosos, quer por não haver nenhuma. Eu próprio já atravessei a estrada fora de uma passadeira, quer por um motivo quer por outro. Quem não o fez? Mas mesmo quando atravesso uma estrada sem ser na passadeira, faço-o rapidamente, nunca a passear, e nunca a pôr em risco a minha vida ou a dos outros. Isto quando estou sozinho. Quando levo o meu filho na mão, nunca atravesso fora da passadeira. Nem que tenha de andar mais 100 metros. Se por acaso a estrada não tiver passadeira, ensino-o o mesmo procedimento. A olhar para todos os lados. E só depois de nos certificarmos que é seguro, é que atravessamos rapidamente. Rapidamente e nunca a passear. Tomem notas se estiver a ser muito confuso ou rápido para vocês.

O que vocês ontem fizeram é típico dos animais que acabam atropelados na autoestrada. Por isso, resta-me concluir que o vosso senso comum é equivalente a de um bode que foge do rebanho ou do curral e que decide atravessar a A1 para ir pastar ao outro lado.

Quando eu tive de travar e buzinei de aviso, o facto do bode mais velho, desculpem… do avô… não, esqueçam, é mesmo bode… ter vindo me pedir justificações e chamar-me estúpido em frente às crianças, leva-me a crer que além da inteligência afunilada de um bode velho, tem também a incapacidade de reconhecer o mal que está a fazer às crianças que o acompanham, tendo o nível de consciência e empatia de um monte de estrume de vaca, daqueles que ficam a fumegar no meio do pasto a fermentar.

As caras assustadas e confusas das crianças diziam tudo. Mas como se costuma dizer, todos os cães têm sorte, e a vossa sorte é isto ter acontecido comigo. Se tivesse acontecido com um acelera ou alguém distraído, ontem 4 pessoas tinham sido atropeladas. 2 adultos irresponsáveis mentecaptos e 2 crianças inocentes. Ou se tivessem apanhado algum maluco, quando o bode velho viesse pedir explicações, tinha saído do carro e aviava-lhe a receita.

Mas não. Felizmente tiveram sorte. Desta vez. Porque calhou comigo. Ainda bem, ainda bem.

Agora vamos lá recapitular, a ver se percebem e explicam às crianças tudo o que correu mal ontem e que poderá salvar-lhes a vida no futuro:

  • A passadeira que tinham a 10 metros é o sítio certo e ideal para tentarem atravessar a estrada. Não devem evitar andar esses 10 metros só porque são preguiçosos, porque o que ficou retido na cabeça das crianças que levavam é que não precisam de atravessar na passadeira e que podem atravessar em qualquer sítio. Errado. Agora repitam comigo: “meninos, o que o avô e o pai fizeram ontem está errado. Nunca devemos atravessar fora da passadeira quando há uma.
  • Antes de atravessar a estrada, olhem com atenção para ambos os lados e não se atravessem em frente a carros que estão a passar. Um carro que bate no corpo, aleija. Aleija a sério. E às vezes até mata, pasmem-se. O que ficou retido na cabeça das crianças é que não precisam de olhar nem esperar que os carros passem, e que podem atravessar repentinamente quando quiserem. Errado. Agora repitam comigo: “meninos, o que o avô e o pai fizeram ontem é muito perigoso. Nunca nos devemos atravessar em frente a carros que estão a passar e devemos sempre olhar antes e esperar que não venha nenhum carro para atravessar.
  • Quando se atravessa uma estrada, devemos sempre fazê-lo o mais rapidamente possível e nunca a passear, sempre, mas especialmente se estivermos a atravessar fora da passadeira, e particularmente se levarmos crianças na mão. O que ficou retido na cabeça das crianças é que podem passear no meio da estrada sem qualquer preocupação, porque os carros que parem. Errado. Agora repitam comigo “meninos, o que o avô e o pai fizeram ontem nunca se faz. Devemos sempre nos despachar a atravessar a estrada, porque senão algum carro pode nos bater e podemos ficar seriamente magoados ou até morrer”.
  • Por fim, quando alguém buzina para avisar, é para evitar que se magoem ou para se aperceberem do perigo. Quando se vem pedir justificações a insultar quem vai no carro quando não se tem a mínima razão, arriscamos a apanhar alguém que não está para isto e corremos o risco de levar na tromba. O que ficou retido na cabeça das crianças é que se podem meter a insultar pessoas que não conhecem mesmo quando não têm razão. Errado. Agora repita comigo: “meninos, o que o avô fez ontem não se faz. Não nos devemos meter com pessoas que não conhecemos e muito menos insultá-las sem termos razão. Pode até ser perigoso. O senhor do carro estava a ser simpático e a alertar para a merda que o avô e o pai estavam a fazer ao pôr em risco a vossa vida e ao dar-vos um exemplo triste do que não se deve fazer. Devemos lhe pedir desculpa e agradecer o alerta, prometendo que nunca mais fazemos tamanha asneira.

Bom, espero ter sido de alguma ajuda e de alguma forma ter contribuido para um futuro mais seguro desses miúdos. Se não conseguiram perceber, o que acho natural tendo em conta o que vi ontem, peço-vos o favor então de entregar a tutela das crianças à mãe e à avó, caso estas sejam mais prudentes e responsáveis. Querem se matar, façam-no sozinhos. Os miúdos não têm culpa.

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