QUANDO A VIDA ME DEU LIMÕES

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Them lemons

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Dizem que quando a vida te dá limões, faz limonada. A minha vida tem me dado alguns. Limões. A vida tem o hábito de fazer isso. Não sou o género de pessoa de fazer limonada dos limões da vida. Não sou. Sou até capaz de ter esperança. Manter a fé. Acreditar. E até mais para a frente olhar para trás com um sorriso para más situações. Mas no momento em que sou confrontado com uma situação merdosa, tenho dificuldade em fazer limonada. Não fiz limonada quando durante a gravidez da minha mulher soubemos que tinha uma placenta prévia total. Não fiz limonada quando o meu filho nasceu prematuro e foi internado nos cuidados intensivos. Não fiz limonada quando o meu avô morreu. Não fiz limonada quando o meu filho apanhou uma meningite. E certamente não fiz limonada quando uma médica incompetente munida de uma ecografia transfontanelar me olhou nos olhos e disse que o meu filho de 1 mês de idade podia vir a ter paralisia cerebral. Não me apetece fazer limonada com limões destes. Apetece-me é mandar a merda dos limões às fuças de quem os deu.

O problema é que nunca sabemos de onde vêm os limões. Nem quando. Nem porquê. Por isso, até percebo a ideia da limonada: já que a situação é má, mais vale vê-la com bons olhos. O copo meio cheio. O outro lá dos makeovers das casas até teria uma explicação emocionalmente mais inteligente do que a minha. Mas raios me partam se tenho vontade de fazer uma limonada quando me enfiam com um saco de limões na tromba.

Mas o tempo passa, e como tudo o que acontece com o tempo, também os limões vêm e vão. E hoje quando olho para a minha vida e para a minha família, penso que não fiz uma única limonada com a merda dos limões que me distribuiram, mas porra, alguém certamente a fez por mim.

 

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They say that if life gives you lemons, make lemonade. Life has given me some. Lemons, that is. Life has a habit of doing that. But I’m not the type of person that makes lemonade out of life’s lemons. I’m just not. I might be a hopeful kind of guy. A keep the faith kind of guy. A believer. And I might even look back later on bad situations with a smile on my face. But on that precise moment I’m confronted with a shitty situation, it’s hard for me to make lemonade. I didn’t make lemonade when during my wife’s pregnancy we found out she had a placenta praevia. I didn’t make lemonade when my son was born premature and had to stay in the ICU for a month. I didn’t make lemonade when my grandfather died. Didn’t make lemonade when my son caught a viral meningitis. And I sure as hell didn’t make lemonade when an incompetent doctor with a transfontanellar ultrasound in hand  looked me in the eye and told me that my one-month old son might develop cerebral palsy. Not really into making lemonade with them lemons. What I’d like to with them lemons is slap them across the face of whoever gave me them.

The problem is you never know where the lemons are coming from. Nor when. Nor why. So I kinda get the whole lemonade thing: since the situation is bad, might as well look at it from a positive point of view. The cup half-full. I’m sure a life coach would have a more emotionally intelligent explanation than mine. But I’ll be damned if I’m in the mood to make lemonade when somebody shoves a bag of lemons in my face.

But time rolls by, and as everything else with time, lemons come and go.And today, when I look at my life and my family, I think to myself that I didn’t make a single damn lemonade with the lemons that were thrown at me, but somebody sure made it for me.

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9 thoughts on “QUANDO A VIDA ME DEU LIMÕES

  1. Brutal!
    Também sou assim… não faço limonada porque não consigo… não sei…. fico é sem estômago de cada vez que me aparecem limões. Também não fiz limonada quando recebi o teste pre-natal positivo, para sindrome de down, nas DUAS gravidezes (a culpa só pode ser do meu sangue)… não consegui fazer limonada nas duas semanas infernais de espera do resultado da amniocentese, e passar por isto duas vezes!! Ninguém merece! Não fiz limonada quando tinha o meu bebé dois meses, e tive que estar internada com ele no hospital 10 dias por causa de uma porcaria de uma infeção urinária, e a mais velha, coitadinha, quase sem me ver durante esses 10 dias… e também não estou a conseguir fazer limonada agora que sei que tenho que fazer uma batelada de exames ao meu traquinas para tentar despistar alguma intolerancia alimentar porque o raio do miúdo não engorda…. 😦
    Eu também não sei fazer limonada!
    Adoro o teu regresso!

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  2. Eu acredito que o sentido do ditado não é que não devamos sofrer ou desesperar quando a pancada dos limões é muito forte. Há situações nas vidas das pessoas que são só más, ponto. São más, ninguém contribuiu para elas e não há nada de positivo nelas. Desesperar, chorar, ter medo, faz parte. O que há de positivo na morte de quem se gosta? O que há de positivo numa doença incurável? Porque havemos de espremer limões a rir?
    Todos temos direito a inseguranças, à tristeza e ao sofrimento. Mas isso não significa necessariamente que estejamos a levar com limões na tromba passivamente.
    Fazer limonada não é dizer “ah, mas isto tem um lado positivo”. Fazer limonada é não desistir, não virar as costas, ainda que tenhamos medo ou receios. E no teu post ou no comentário da Sofia, por exemplo, não vi em lado nenhum que tenham desistido. Tenho a certeza que a mãe do Rui Pedro, por exemplo, não vê nada de positivo no que lhe aconteceu. Mas não tenho dúvidas que aquela Senhora faz limonada todos os dias e é por isso que, ainda hoje, ela não desiste e ainda ouvimos falar nela.
    Encarar os problemas de frente e procurar todas soluções possíveis (ainda que não sejam ideiais) é fazer limonada. Só que a limonada às vezes é muito amarga…
    Tu fizeste a tua, alguém só lhe pôs um bocadinho de açúcar por ti 🙂

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