OS BONS GANHAM SEMPRE

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O mundo é assim. Gente boa e gente má em todo lado. Não é de agora. É de sempre. E isso não vai mudar. Nem agora nem nunca. O que aconteceu em França esta passada sexta-feira 13 foi catastrófico. Como sempre que há gente má a destruir a vida de outros. O factor surpresa e a proximidade do que se passou deixa-nos sempre abalados e a pensar que podia acontecer a qualquer um de nós. É por isso que quando uma coisa destas acontece aqui na nossa parte do mundo, nos deixa tão mais emocionalmente amassados do que uma chacina numa comunidade rural da Nigéria. Não é que uma coisa seja mais impressionante ou importante que a outra. Porque não é. Mas é natural que nos possa bater mais forte. Porque nos bate mais perto. E a verdade é que quando penso no que se passou em Paris, penso que eu podia muito bem estar ali com a minha mulher. Dizia eu a ela que é uma cidade em que podíamos muito bem lá estar a viver tivesse eu aceite um convite há uns anos atrás, e o concerto dos Eagles of Death Metal um sítio em que podia muito bem estar, uma vez que é uma banda da qual gostamos. Muitas vidas mudaram nesse dia. Dos que foram e dos que ficaram. Assim como as vidas de pessoas na Nigéria, no Líbano, nos EUA, na Bolívia ou em Portugal. Sempre que há gente má a destruir a vida dos outros. Quem já me ouviu a explicar ao meu filho a luta entre bons e maus sabe bem como lhe explico. E quem já me ouviu a explicar ao meu filho, sabe bem como ele olha para mim quando lhe digo que os bons ganham sempre aos maus. Sempre. E é por isso que partilho este vídeo deste pai e filho em Paris. Porque os bons ganham sempre aos maus. Sempre. Porque temos flores e velas. Por isso, maus, terroristas, vilões, filhos-da-puta, em todo o lado, façam o que fizerem, os bons ganham sempre. Sei que custa a engolir. Mas é assim. Voilà.

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This is how the world turns. Good people and bad people everywhere. It’s not a recent phenom. It’s always been that way. And it’s not going to change. Not now, not ever. What happened in France this past Friday the 13th was catastrophic. As it always is when bad people destroy others lives. The surprise factor and the proximity of what happened will always leave us shaken up and thinking that it could happen to any one of us. That’s why when something like this happens in “our part of the world”, it leaves us so much more emotionally creased than some massacre in a village somewhere in rural Nigeria. It’s not that one thing is more impressive or important than the other. Because it’s not. But it’s only natural that it hits us harder. Because it hits closer to home. And the truth is when I think of what happened in Paris, I could’ve very well been there with my wife. We could have been living in Paris had I accepted a work offer a few years ago, and that the Eagles of Death Metal concert could have very well been a gig we would be at, since we dig them. Many lives changed that day. Of those who are gone and of those who are not. As happens with the lives of those in Nigeria, Lebanon, the USA, Bolivia or Portugal. Anytime you have evil people destroying the lives of others. Those who hear me explain to my son, know well the way he looks at me when I tell him that good guys always win the bad guys. Always. That’s why I’m sharing this video of a father and his son in the aftermath of Paris. Because good guys always win. Always. Because we have flowers and candles. So bad guys, evil doers, terrorists, villains, sons-of-bitches everywhere, no matter what you do, good always wins. I know it’s a tough one to swallow. But that’s how it is. Voilà.

THE RETRO SERIES: UM MODELO DE IRMÃO

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De vez em quando vou republicar um post do antigo blog numa rubrica chamada The Retro Series. Só para matar saudades, que de vez em quando dá vontade de uma nostalgia.

Começo hoje com este post de quando a nossa família passou a incluir um labrador castanho chamado Charlie. Ou Charlie the Lab para os amigos. Ou “O Teu Cão” quando come as paredes da casa.

Seja como for, fica aqui o post escrito em 2013, quando a nossa vida mudou para sempre. Enjoy.

Olá. Eu de novo. Pensavam que isto tinha acabado, não? Pois não. Não acabou não. O problema é que este pai nem tem tido tempo para pôr os pés no sofá. Porque entretanto a nossa família aumentou. Pois é, o Santiago agora tem um “mano” como ele disse na escola. Na reunião de pais tive que explicar que o “mano Charlie” que o meu filho falava era um cão. E depois, ainda me quis armar em engraçado e fiz o favor de rematar com um “mas eu não sou o pai”. Ouviram-se grilos.

Adiante. Sim, agora temos um cão. Já não bastava a sarna que tenho para me coçar, achámos que se tivéssemos mais um elemento na família que pudesse ter sarna, seria giro.
E a decisão foi tomada assim:

Eu: – Se calhar era giro arranjar um cão para o Santiago.

A mãe: – Opááá… Era tão giro. Acho que lhe ia fazer bem.

Eu: – Pois. Também acho. Sentido de responsabilidade e tal. Se calhar até melhorava as birras.

A mãe: – Vou começar a ver isso.

Eu: – Boa. Mas tem de ser uma raça instintivamente dócil com crianças, inteligente e que goste de água para a gente o levar para a praia. Tipo um labrador. Os castanhos-chocolate são muita giros.

A mãe: – Vamos a isso.

1 mês depois. 06h00 da manhã. Terraço da casa.

A mãe: – ‘Tou farta de limpar m*#da!

Eu: – O cão arrancou os 3 respiradores da parede?! Os 3?!! E o que é aquilo ali no chão? Aquilo é a capa do grelhador?! Vou dar o cão porra!

1 mês e 1 semana depois. 19h00. Terraço da casa.

A mãe: – A sério… ‘Tou farta de limpar m*#da!

Eu: – E eu farto de apanhar os restos da casa que este gajo destrói.

1 mês e 2 semanas depois. 20h00. Sala de estar. [O meu filho aparece-me à frente de t-shirt e nu da cintura para baixo]

O meu filho: – Pai. Fiz cocó.

Eu: – O quê?

O meu filho: – Fiz cocó.

Eu: – Como assim fizeste cocó?

O meu filho: – Fiz cocó. Ali.

Eu: – Não percebo filho. O que queres dizer?

O meu filho agarra-me na mão e leva-me até ao quarto dele. Aponta para o chão. No meio do chão, uma poiazita perfeitamente largada no meio do soalho flutuante.

Eu: – Oh Irinaaaa! Ainda ’tás farta de limpar m*#da?

 

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Once in a while I’m going to share a post from my old blog in a segment called The Retro Series. Just for nostalgia’s sake.

I’m starting today with this post from when our family welcomed a brown Labrador called Charlie. Or Charlie the Lab as he known to his friends. Or “Your Damn Dog” when he’s eating the house walls.

Anyway, here´s the post written in 2013, when our lives changed forever. Enjoy.

Hello. Me again. Though this was over, right? Yeah, but no. Not over by a long shot. The problem is that this here father hasn’t had time to rest his feet on the sofa. Because in the meantime, our family has grown. Yeah that’s right, Santiago now has a “brother”, as he so proudly shared at school. At the parents meeting, I had to explain that his “brother Charlie” he so enthusiastically spoke of, was in fact a dog. And to make matters worst, I tried to be funny about it by stating out loud “but I’m not the father”. Crickets.

Anyway. Yes, we now have a dog. As if I hadn’t enough on my plate, we thought it would be fun if we had another mouth to feed in the family. And this is how the decision was made and what followed.

Me: – Maybe it would be fun if we got a dog for Santiago.

Mom: – Ohhhh… That would be so cute. I think it would be good for him.

Me: – Right? Think so too. It’ll give him some sense of responsibility and what not. Maybe even his tantrums would get better.

Mom: – I’m going to start to look into it.

Me: – Great. But it has to be a breed instinctively nice with children, intelligent, and it has to love water so we can take it swimming at the beach. Like a Labrador. The brown ones are really nice.

Mom: – Let’s do it..

1 month later. 6 A.M. at the house terrace.

Mom: – I’m tired of cleaning up shit!

Me: – The dog ate up the 3 wall ventilators?! The 3 of them?! And what’s that on the floor? Is that the grill’s cover?! I’m giving the damn dog away!

1 month and 1 week later. 7 P.M. at the house terrace.

Mom: – I’m not kidding…  I am so damn tired of cleaning up shit!

Me: – And I’m so damn tired of picking up the pieces of the house this guy’s destroying.

1 month and 2 weeks later. 8 P.M. in the living room. [My son comes up to me with only a t-shirt on and naked from the waist down]

My son: – Dad. I pooped.

Me: – What?

My son: – I pooped.

Me: – What do you mean you pooped?

My son: – Poop. There.

Me: – I don’t understand son. What do you mean?

My son takes me by the hand and leads me to his room. Points to the middle of the bedroom floor. Lying there in silent lucidity, a perfectly layed poop, right in the middle of the damn floor.

Me: – Hey Irinaaaa! You still tired of cleaning up shit?

QUANDO A VIDA ME DEU LIMÕES

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Them lemons

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Dizem que quando a vida te dá limões, faz limonada. A minha vida tem me dado alguns. Limões. A vida tem o hábito de fazer isso. Não sou o género de pessoa de fazer limonada dos limões da vida. Não sou. Sou até capaz de ter esperança. Manter a fé. Acreditar. E até mais para a frente olhar para trás com um sorriso para más situações. Mas no momento em que sou confrontado com uma situação merdosa, tenho dificuldade em fazer limonada. Não fiz limonada quando durante a gravidez da minha mulher soubemos que tinha uma placenta prévia total. Não fiz limonada quando o meu filho nasceu prematuro e foi internado nos cuidados intensivos. Não fiz limonada quando o meu avô morreu. Não fiz limonada quando o meu filho apanhou uma meningite. E certamente não fiz limonada quando uma médica incompetente munida de uma ecografia transfontanelar me olhou nos olhos e disse que o meu filho de 1 mês de idade podia vir a ter paralisia cerebral. Não me apetece fazer limonada com limões destes. Apetece-me é mandar a merda dos limões às fuças de quem os deu.

O problema é que nunca sabemos de onde vêm os limões. Nem quando. Nem porquê. Por isso, até percebo a ideia da limonada: já que a situação é má, mais vale vê-la com bons olhos. O copo meio cheio. O outro lá dos makeovers das casas até teria uma explicação emocionalmente mais inteligente do que a minha. Mas raios me partam se tenho vontade de fazer uma limonada quando me enfiam com um saco de limões na tromba.

Mas o tempo passa, e como tudo o que acontece com o tempo, também os limões vêm e vão. E hoje quando olho para a minha vida e para a minha família, penso que não fiz uma única limonada com a merda dos limões que me distribuiram, mas porra, alguém certamente a fez por mim.

 

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They say that if life gives you lemons, make lemonade. Life has given me some. Lemons, that is. Life has a habit of doing that. But I’m not the type of person that makes lemonade out of life’s lemons. I’m just not. I might be a hopeful kind of guy. A keep the faith kind of guy. A believer. And I might even look back later on bad situations with a smile on my face. But on that precise moment I’m confronted with a shitty situation, it’s hard for me to make lemonade. I didn’t make lemonade when during my wife’s pregnancy we found out she had a placenta praevia. I didn’t make lemonade when my son was born premature and had to stay in the ICU for a month. I didn’t make lemonade when my grandfather died. Didn’t make lemonade when my son caught a viral meningitis. And I sure as hell didn’t make lemonade when an incompetent doctor with a transfontanellar ultrasound in hand  looked me in the eye and told me that my one-month old son might develop cerebral palsy. Not really into making lemonade with them lemons. What I’d like to with them lemons is slap them across the face of whoever gave me them.

The problem is you never know where the lemons are coming from. Nor when. Nor why. So I kinda get the whole lemonade thing: since the situation is bad, might as well look at it from a positive point of view. The cup half-full. I’m sure a life coach would have a more emotionally intelligent explanation than mine. But I’ll be damned if I’m in the mood to make lemonade when somebody shoves a bag of lemons in my face.

But time rolls by, and as everything else with time, lemons come and go.And today, when I look at my life and my family, I think to myself that I didn’t make a single damn lemonade with the lemons that were thrown at me, but somebody sure made it for me.