HERE WE GO AGAIN

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we sail away

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Há uns meses despedi-me. Eu e o blog. Não foi com pompa nem circunstância, nem fiz ghosting. Simplesmente disse que me ia embora e que não sabia quando voltava ou se voltava. Algumas pessoas perguntaram-me porquê. A resposta foi simples. Não me apetecia mais. Agora voltou a apetecer-me. Gostava de ter uma resposta mais profunda para isto, mas não. Só não me apetecia. E caso perguntem, “então e mas porque é que te deixou de te apetecer?“, aí a história é outra. Talvez um dia conte. O que eu sei é que agora já me apetece. E este apetecer coincide com o aniversário de 5 anos do meu filho. Deixou de ser um minion a falar e a andar, e passou a ser um miúdo com dúvidas existenciais, crises de adolescência, verdades absolutas e sindicalista. Enfim, 5 anos. Apesar disso continua com a graça que tinha quando era minion. Mas agora começa uma nova era.

Agora com 5 anos é difícil não reconhecer a autonomia e independência deste pequeno herói. Se antes eu era o barco que o puxava, ele hoje começa a navegar o seu próprio rumo. Eu continuo a acompanhá-lo à distância. A uma distância curta. Mas à distância.

Não vou dizer que não sinto alguma nostalgia de quando ele andava como se tivesse mandado abaixo uma garrafa de rum. De quando ele falava como um inglês a tentar falar espanhol. Ou de quando precisava de mim até para dar uns puns porque estavam presos. Vê-lo crescer é ao mesmo tempo uma angústia e um encanto.

Mas nostalgias à parte, vê-lo começar a navegar a vida sozinho é um privilégio. Dá gosto vê-lo escolher a rota. Vê-lo soltar as amarras sozinho. Admirar o jeito dele ao leme. Quando apanha mau tempo, já começa a manobrar pelas ondas e correntes. Quando encalha, ainda precisa de mim. Naturalmente. Mas os anos vão passar e ele vai precisar cada vez menos de ajuda para desencalhar. Ainda assim, vou acompanhar sempre o rumo dele. À distância. Porque poucas coisas me enchem o peito como vê-lo aprender a fazer as coisas sozinho. É que apesar de adorarmos vê-los pequenos e nunca querermos que eles cresçam, nada bate uma boa refeição na paz do senhor sem ouvir um grito a dizer “já está” no meio de uma garfada. That’s what I’m talking about.

 

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I said goodbye a few months ago. Me and my previous blog. I didn’t make a big deal out of it nor did resort to ghosting. I just wrote that I was leaving and that I didn’t know when or even if I was coming back. Some people asked me why. The answer was simple. I didn’t feel like it anymore. And now I feel like it again. Wish I had a deeper explanation for this, but I don’t. I just didn’t feel like writing a blog anymore. And if you ask me “but why didn’t you feel like it anymore?“, well that’s another story. Maybe I’ll tell one day. But for now, I just feel like it again. And this “feeling like it again” coincides with my son’s 5th birthday. He’s no longer a walking and talking minion. He’s now a full-on 5 year old kid with existential doubts, teenage angst, absolute beliefs and a righteous revolutionary. You know, 5 years old. Nevertheless, he still has that minion charm to him. But this now is the dawn of a new age.

Now that he’s 5, it’s difficult not to acknowledge this little hero’s independence. I was once the fathership that towed him, but now he is his own captain and sails his own course. Granted, I sail by his side at a distance keeping a close eye. At a very short distance. But a distance nonetheless.

I’m not going to lie and say that nostalgia doesn’t hit me here and there. Nostalgia of when he walked as if he had downed a bottle of rum. Of when he talked like a Englishman trying to speak Spanish. Or of when he needed me even to pass gas because it was just stuck. Truth is watching him grow is amazing and distressing at the same time.

But nostalgia aside, watching him navigate life on his own is a damn privilege. I love watching him choose his route. Watching him release the docklines and setting sail by himself. Admiring his skill at the helm. When he hits rough weather, he’s beginning to maneuver himself through waves and riptides. Naturally, he still needs me when he gets stuck. But as the years roll by, he will be needing me less and less to get unstuck. I will still be following him and his routes. At a distance. Because few things fill my heart like watching him learn how to do things on his own. And because even though you love when they’re little and never want them to grow up so fast, nothing beats a good meal in peace without hearing them calling you to clean their butt right when you’re in the middle of a bite. That’s what I’m talking about.