MEU QUERIDO MÊS DE AGOSTO

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being a surfer is not being an asshole

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Ahhhhh… Mais um mesinho e isto acaba. Não me entendam mal. Gosto do verão. Sabem bem as temperaturas mais quentes, a cerveja geladinha, o peixinho grelhado na rua, sushi na esplanada, surfar de calções (mesmo que seja só por meia hora). Gosto disso tudo. E viver na Ericeira, significa ter de partilhar isso com muita gente. Com muita gente mesmo. Partilhar as praias e as ondas com muita gente é coisa que acontece um pouco todo o ano, mas no verão bate a escala. É assim mesmo. Nada a fazer. Como meca e reserva mundial de surf, bate cá muita gente. De dentro e de fora. Eu não sou “local” original. Não cresci aqui e vim cá parar já velho. Já com o meu filho vai ser diferente. Mas eu, mesmo sendo um “transplantado“, trago comigo sempre para onde vou viver uma coisa da qual não abro mão. Respeito. Respeito pelo sítio onde vou viver. Respeito pela sua gente. Respeito pela cultura, pela natureza, pela comunidade. Passo o mesmo ao meu filho. Desde muito cedo que ele aprende a trazer com ele o respeito. Vá onde for. E se é verdade que uma pessoa que viva num sítio destes já sabe que tem de levar com enchentes nas praias, estacionamentos lotados, filas de trânsito e supermercados à pinha, há uma coisa que não tenho de levar. Nem eu nem ninguém. Falta de respeito. E é por isso que fico aliviado com a debandada geral que no final do mês de agosto se dá aqui na Ericeira.

Já se sabe que grunhos e idiotas comportam-se como grunhos e idiotas, mas fico lixado quando vejo gente que devia dar o exemplo a fazer merda. E se alguém devia dar o exemplo na Ericeira sobre o civismo e o respeito pela natureza e pela comunidade somos nós os surfistas. Quem faz surf, sabe que viajar à procura de ondas faz parte do nosso DNA. O mar, as ondas e as terras que as albergam são onde passamos alguns dos nossos melhores e mais memoráveis momentos. Por isso quando vejo chegar o verão e com ele “surfistas” a deixar lixo por onde passam, a estacionar em cima de dunas e falésias, e a cagarem-se de alto para quem está na praia ou na água também para gozar o dia, fico na merda.

Até o meu filho de 5 anos vê. Já lhe tive de explicar a diferença entre um surfista a sério e um kook*. E desenganem-se, não é pela experiência que se distinguem. É pela atitude. Nos meses de verão então é kooks a dar com um pau. Algumas chamadas “escolas” de surf também têm responsabilidade. Porque a 1ª lição que deviam dar antes ainda de contar as notas que as turmas de 20 alunos lhes deixam nas mãos, é a do respeito. Antes de lhes ensinar a arrastar as pranchas pela areia, deviam lhes ensinar que respeitar a natureza e as pessoas à sua volta é o primeiro passo para ser um surfista. Mas muitas escolas estão tão ávidas a fazerem contas enquanto salivam com cifrões nos olhos, que se esquecem disso. Eu este ano vi de tudo. Alunos com fatos vestidos ao contrário, várias turmas de mais de 15 pessoas de uma vez a “aquecerem” em cima das outras pessoas, centenas dentro de água a varrerem tudo e todos que lhes aparecem à frente, lixo deixado no chão no final da sessão. Uma puta de vergonha.

Felizmente não são todas as escolas. Há escolas boas, com sentido ético, preocupadas com o respeito. Também as vi. Distinguem-se bem as escolas que valorizam qualidade acima de quantidade. A essas, congrats. Por estarem a dar uma boa experiência a quem quer aprender, mostrando o que realmente é o surf. Porque quando se diz, que o surf é mais que um desporto, que é um estilo de vida (frase tão usada nos anos 80 e no Point Break mas que apesar de cliché não deixa de ser verdade), significa também que além de conseguir surfar uma onda, um surfista é alguém que respeita a natureza, o mar, e todos os que vivem dele e nele.

Por isso, apesar de ser um transplant, fica a minha To-Do List para quem visita a Ericeira, ou qualquer outro sítio para surfar:

  • Não deixem lixo. Apanhem a merda que fazem que os outros não são vossos criados e o planeta é de todos e de todas. Eu e o meu filho estamos fartos de apanhar lixo que não é nosso. Escolas de surf, abram os olhos e não deixem isso acontecer. Ensinem a respeitar a natureza e dêem o exemplo.
  • Quando uma falésia ou uma duna tem um sinal a dizer “Não estacionar ou circular em cima das falésias ou dunas“, signifca não deixar o carro lá estacionado nem circular lá. Parece elementar mas há gente básica que não percebe. As dunas e as falésias devem ser preservadas.
  • O mar no verão é frequentado por todos. Surfistas, bodyboarders, SUPs, veraneantes, nadadores, mergulhadores, crianças. O mar não está reservado exclusivamente para as escolas de surf, nem para kooks, nem para ninguém. O espaço é para ser partilhado. Bom senso, é só isso que é preciso. E civismo.
  • A praia é para todos e todas. O meu filho pode estar a brincar na areia sem ser abalroado por um grupo de kooks com os fatos mal-vestidos a galoparem pelo areal como se fossem cavalos selvagens? Bom senso. É fácil.
  • Um kook em cima de uma prancha desgovernada pode matar uma criança ou magoar seriamente alguém. Aprendam a olhar à volta. E escolas de surf, ensinem a estarem atentos ao que os rodeia.
  • Quando visitam uma terra que não é a vossa, respeitem a sua gente e a sua terra. Não façam merda, não arranjem confusão, não poluam, não gritem às 4 da manhã feitos estúpidos, não vandalizem, não dropinem.

Toda a gente que faz surf já foi kook ou principiante de uma maneira ou de outra. Mas nem todos foram parvos.

 

*Kook: um indivíduo com pouco ou nenhum conhecimento das normas e regras sociais do surf, e isso inclui respeito pela natureza, pelos locais e pela comunidade. Na água, a ignorância básica de um kook representa um perigo iminente para surfistas e outros na água; kooks podem ser reconhecidos pelos faux pas que regularmente exibem dentro e fora de água, como por exemplo ir fazer compras ao supermercado com o fato vestido como este kook que fotografei este verão:

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Ahhhhh… Just another month and it’s over. Don’t get me wrong. I like summer. It’s got things going for it. I enjoy the warm weather, an ice cold beer, grilled fish outside, sushi in the seafront, surfing in boardshorts (even if it is for just half hour). I enjoy all that. And living in Ericeira means sharing all that with lots of people. I mean lots of people. Sharing the beaches and the waves with the crowd is something that happens a little bit throughout the year. But come summer, it really gets overwhelming. That’s just the way it is. It is what it is. As a World Surfing Reserve, Ericeira gets visited by lots of people. From here and abroad. I’m not an original “local“. I didn’t grow up here and moved here already an old fart. My son on the other hand will grow up as a local. But even though I’m a “transplant“, I carry with me something everywhere I move to, something I’m not willing to compromise. Respect. Respect for the place I am going to live. Respect for its people. Respect for the culture, for the environment, for the community. I pass that over to my son. Since a very early age he’s been learning to carry with him respect wherever he goes. And if it’s true that living in a place like this means dealing with crowded beaches, packed parking lots, nerve wrecking traffic and overcrowded stores in the summer, there’s one thing that I don’t have to put up with. Neither does anyone else. And that’s disrespect. That’s why I’m relieved with the full-on retreat that we see here in Ericeira come the end of August.

It’s a given that assholes and turds will be assholes and turds, but what really pisses me off is when those who should give the example are the ones doing shit. And if someone should set the example in Ericeira on respect for the environment and the community, it’s us surfers. Those who surf know that travelling searching for waves is part of our DNA. The sea, the waves and the towns that harbor them are where we live some our best and most memorable moments. So I get proper pissed when I see summer coming and with it “surfers” that litter, drive and park on protected cliffs and dunes, and just don’t give a rats ass about whoever is on the beach or in the water to enjoy the day.

Even my 5 year old son sees it. I had to explain to him the difference between a real surfer and a kook*. And it’s not the experience that sets them apart. It’s the attitude. Summer months are kook havens. Some so-called Surf “Schools” are also responsible. Because the 1st lesson they should teach even before counting the cash from their 20 student classes, is respect. Before teaching them to drag their softboards across the sand, they should teach newcomers that respect for nature and for the people around them is the first and foremost step in becoming a surfer. But many schools are just so avid counting cash with dollar signs (or euro signs in this case) in their eyes, that they forget. I saw it all this year. Students with their wetsuits on inside-out, classes with over 15 kooks at a time “warming up” on top of people, hundreds swarming the line-up and just taking out anyone and everyone who got in their way, garbage left behind on the floor after the session. A damn disgrace.

Fortunately, not all schools are like that. There are good surf schools, with a proper sense of ethics, concerned with respect. I also saw these. You can easily  tell the difference between a school that’s focused on quality as opposed to quantity. To these, congrats. Congrats on giving a good experience to those who are learning, showing them what surfing really is about. Because when we hear that surfing is more than a sport, that it’s a way of life (an expression so popular in the 80’s and in Point Break, that even though it’s cheesy, it is kinda true), that means that a surfer not only is someone who rides a wave, he or she is also someone who respects nature, the sea, and all those who live from it or in it.

So, although I’m a transplant, here’s my To-Do List for all those willing to visit Ericeira, or any other place to surf:

  • Do not litter. Pick up the shit after you, because others are not your slaves and the planet belongs to everyone. My son and I are tired of picking up garbage left by others. Surf schools, open your eyes and don’t let it happen. Teach respect for the environment and set the example.
  • When a cliff or dune has a sign reading “do not drive or park on cliff or dune”, that’s exactly what it means. It may seem basic, but some basic people just don’t fucking get it. Cliffs and dunes should be preserved.
  • The ocean in the summer is used by all. Surfers, bodyboarders, SUPs, beach-goers, swimmers, divers and children. The sea is not reserved exclusively for surf schools, kooks, nor anyone else. It should be shared responsibly. Common sense, that’s all that’s needed.
  • The beach is for everyone. Can my son play in the sand without being run-over by a gang of kooks with their wetsuits on backwards as if they were a band of wild horses? Common sense, it’s easy.
  • A kook on a runaway board can kill a child or seriously hurt someone. Learn to look around. And surf schools, teach your classes to be aware of their surroundings.
  • When visiting a new place, respect it’s people and their town. Don’t fuck up, don’t cause confusion, don’t pollute, don’t yell and be rowdy at 4 A.M. like an asshole, don’t vandalize, don’t drop in or burn others.

Anyone who surfs was a kook or a beginner at some point. But only some are assholes. Don’t be that guy.

 

*Kook: an individual with no understanding of the social rules and norms of surfing, and that includes respect for nature, for locals and the community. In the water, a kook’s cluelessness can endanger surfers and others; kooks can easily be recognized by the faux pas they commit in and out of the ocean, such as grocery shopping with your wetsuit on like this kook I saw this summer in the photo above.

BLOGS I F#*KING LOVE: DIEGO DISCOVERS

DiegoD

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Ooooh yeah! Voltou finalmente a partilha de blogs que valem a pena. Blogs I F#*king Love is back. Já fazia tempo que dava a conhecer alguns dos blogs que me ocupam o tempo quando estou na net. E hoje vai um especial.

Diego Discovers é um blog de descoberta. Escrito por um explorador urbano dos tempos modernos, curioso insaciável e a cereja no topo do bolo, é meu primo. Boom.

O Diego vive em Nova Iorque, mais especificamente em Brooklyn, e como jornalista nova-iorquino a roçar o hipster (you live in Brooklyn , what did you expect me to say?), tem um faro apurado para o improvável. O facto de ter estagiado no Howard Stern Show também não terá ajudado o Diego a ser um moço certinho a escrever sobre coisas fofinhas de Nova Iorque.

Então o que temos aqui é um blog que dá a conhecer um New York como deve ser, ou seja um New York original e único. Sítios para comer, sítios para beber, sítios com picante, abraçadores profissionais, tapetes humanos, enfim, New York senhores e senhoras.

É clicarem ali em cima da foto que já vão ver. De nada.

 

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Ooooh yeah! The sharing of cool blogs has returned. Blogs I F#*king Love is back. It’s been a while since I’ve shared some of the blogs that take up my precious time on the web. And today we have a special one.

Diego Discovers is a blog of discovery and wonder. Written by a modern-day explorer, an insatiable curious and the cherry on top, he’s my cousin. Boom.

Diego lives in New York, in Brooklyn to be more exact, and as a slightly hipster New York journalist (you live in Brooklyn, what did you expect me to say?), he has a nose for the improbable. The fact that he was an intern at the Howard Stern Show also didn’t help in making Diego a clean-cut boy writing on cute New York things.

So what we have here is a blog that introduces you to a whole other New York, in other words, an original and unique New York. Places to eat, places to drink, places with hot sauce, professional cuddlers, human carpets, well, you know, New York ladies and gentlemen.

Just click on the photo above and you’ll see. You’re welcome.

ET VOILÀ LA RÉALITÉ

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always believe

Diz que somos pequenos. Tristes. Cantamos fados e temos bigodes. Os homens e as mulheres também. Somos chicos-espertos. Preguiçosos. Não trabalhamos e temos feriados a mais. Diz que o nosso melhor futebolista é vaidoso, fingido e petulante. Que o nosso melhor treinador é vaidoso, fingido e arrogante. Que somos nojentos, porcos e não merecemos ganhar. Que ganhámos sem ganhar. Diz que sim. Diz-se muita coisa.

Algumas dessas coisas são um bocado verdade. Outras são só inveja. E outras ainda são só básica estupidez. O que eu sei é que ontem vi um petit français a limpar a perna ao Cristiano Ronaldo. E ninguém me tira da cabeça que foi propositado e previamente falado. Ontem vi um povo tipicamente arrogante, mesquinho e petulante a vergar-se perante um gigante Portugal. Ontem vi uma equipa ganhar o Campeonato Europeu sem perder um único jogo durante todo o torneio. Foi o que eu vi. Ontem vi os media nojentos franceses a engolirem as suas palavras. Ontem vi o melhor jogador do mundo a ser o melhor companheiro do mundo, o melhor amigo do mundo e o melhor team player do mundo. Sem sequer jogar. Ontem vi um gajo que niguém valorizava nem ninguém acreditava a marcar um golo e a mudar o destino de um país. E logo a seguir, a ter a humildade e coração de reconhecer quem o ajudou. F#$a-se, dá-me vontade de chorar só de lembrar.

Ontem vi uma espécie de remake do Karate Kid. Portugal é o Ralph Macchio. O Daniel-Son. Um lingrinhas que os grandes querem aviar e a quem não páram de fazer bullying. Um meia-leca a quem tentam mandar abaixo. Mas que apesar dos pontapés e empurrões, acredita em si próprio e mesmo no final do torneio quando lhe limpam a perna, não baixa os braços e com um golpe consegue o improvável.

A diferença foi que o puto irritante louro com a franja nos olhos que levou o pontapé nas trombas do Karate Kid e que perdeu o torneio para ele, foi ter com ele no final, deu-lhe os parabéns e entregou-lhe a taça ele mesmo.

Já os franceses, têm tanto fairplay como uma melancia tem cabelo. O triste tonto Payet que limpou a perna ao seu adversário e o tirou do jogo diz que não pede desculpa. O nojento do Rothen, um ex-jogador medíocre com cara de soldadinho das SS mantém a sua opinião aborrecida e irrelevante que Portugal não merecia ganhar nem estar na final. Os media franceses não conseguem congratular nem elogiar o vencedor. E até agora, nenhum dos meus colegas e amigos franceses me deu os parabéns pela vitória de Portugal. Recebi mensagens de amigos e colegas de Itália, Espanha, EUA, Inglaterra. De França, nem um. Só um emoticon com cara feia quando escrevi “Fuck You Payet” numa rede social depois do esterquinho ter magoado o CR.

Bom, fez-se justiça e tal como costumo dizer ao meu filho, os bons ganham sempre. E aqui foi o caso. Somos campeões. Como eu e o Eng. Fernando Santos sempre dissémos. E isso é a realidade dos factos. O meu filho teve o privilégio de ver Portugal Campeão Europeu com apenas 5 anos. Vestiu a camisola em cada um dos jogos (e eu sinceramente acho que foi por isso que não perdemos nenhum jogo). Ficou a conhecer outros jogadores para além do CR, como por exemplo o Quaresma de quem ele ficou fã. Mas acima de tudo, conseguiu confirmar com o Euro 2016 tudo o que lhe ando a dizer desde que nasceu. Que nunca devemos desistir. Que para conseguirmos temos de tentar. Que os maus não ganham. Que somos capazes de tudo quando queremos a sério e quando não temos medo. Que devemos sempre acreditar em nós, mesmo quando ninguém mais acredita. Esta vitória de Portugal veio dar muita credibilidade às minhas palavras. Obrigado Portugal. Obrigado do fundo do meu coração.

A VIDA EMOCIONAL DE UM PAI

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canudo ou não, este sorriso é o que me inspira

Lembro-me de uma altura em que não tinha filho. A vida parecia fácil. Mas também parecia dura. Os sonhos e o dinheiro nunca chegavam. O coração partia com o bater da porta e arranjava-se com um novo beijo. A noite era para acordar, a manhã para dormir e as tardes eram para o que desse e viesse. Mas quando penso nas coisas que me fizeram chorar de emoção, nas coisas que me encheram o peito até doer, nas coisas que me abalaram os ossos, não me lembro de muitas. Aliás, não me lembro praticamente nenhuma. Lembro de chorar a sério quando o meu avô morreu e de sentir um vazio que mais parecia vácuo do qual achei que não ia sair. Tirando isso, não me lembro de outro momento que me tenha encostado à parede pelos colarinhos.

Quer dizer, claro que houve aqueles momentos quando era miúdo em que o mundo implodia ou explodia. Como o dia em que dexiei com 10 anos a minha mãe e as minhas irmãs noutro lado do oceano e fui viver para outro país. Essa custou. Enfim, e aqueles momentos normais de tragédia e glória infantil como paixões e despaixões, brinquedos perdidos, golos marcados. Mas tirando esses momentos quando era mais novo e a morte do meu avô já em adulto, não me lembro de outros momentos de sismos emocionais. Até ser pai.

Quando o meu filho nasceu, conheci todo um mundo de emoção que raios-me-partam. Começou com o dia em que a minha mulher me dá um presente para abrir e lá dentro tinha um micro-gorro a dizer “I Love Dad“. A partir daí foi um vê-se-te-avias. O dia que nasceu. O internamento dele. A alta dele. O dia que dormiu pela primeira vez em casa ao nosso lado. Todos os abraços. Todos os “eu amo-te pai” e “pai, gosto muito de ti“. Em 5 anos tenho me emocionado mais vezes do que na minha a vida toda para trás.

Mas para ser franco, não achei que me fosse emocionar quando ele acabasse a Pré. Afinal de contas, é a Pré, porra. Não é propriamente um MBA em Harvard. Como eu estava enganado. Quando o vi, vestido como um mini-Steve Jobs, soube logo que esta merda de passar a vida a chorar de emoção nunca vai parar. É assim a vida emocional de um pai.

E assim foi. O meu filho licenciou-se. Fica já despachado. ‘Tá feito. Mas com ou sem canudo, é o sorriso dele que mais me emociona acima de tudo. É sempre o sorriso dele.

Proud of you my son.

ELE EXPLICA #1

Hoje é dia de explicação. Já vai tarde, mas entretanto meteram-se férias, cabeças e dedos partidos, jogos do Euro, e mais não-sei-quê.

Mas aqui vai. O primeiro episódio do Ele Explica, depois do episódio-piloto. O tema não podia ser mais actual. Brexit.

Enjoy e aprendam alguma coisa.

ELE EXPLICA

Quem me lê já deve ter reparado uma coisa aqui mesmo em cima que diz ELE EXPLICA. Até agora, nada aparecia quando se clicava. Mas hoje começa uma nova série chamada, adivinhem… ELE EXPLICA.

Uma vez por semana o meu filho vai explicar do ponto de vista dele um assunto qualquer. Uma das coisas que tenho aprendido enquanto pai, é escutar o meu filho. Escutá-lo mesmo. Ouvir e tentar perceber o mundo e as coisas pelos olhos dele. Aprender com ele a navegar esta vida.

Para começar, apresento o episódio piloto em que ele explica a ideia da série.

Espero que gostem e como eu aprendam alguma coisa.

Enjoy.

MATAR A SAUDADE

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o meu amigo fotografado por mim dentro de água a surfar uma onda no Lagide

Sabem como às vezes despareço e não escrevo nada e o blog parece uma biblioteca em dia de jogo da Selecção Nacional? O mesmo acontece comigo na vida real. Não que o blog não seja a minha vida real. Mas vocês percebem o que estou a dizer. Adiante. Eu na vida real também desapareço de vez em quando. Os meus amigos bem o sabem. Amigos. Muitos. Vivi em 2 países diferentes. Em 7 cidades diferentes. Andei em dezenas de escolas diferentes. Estou activamente em 2 redes sociais de relevo. E já estive em 3 outras. Tenho 1 blog. Já tive outros 2. Pelo caminho, fui fazendo amigos e amigas. Muitos e muitas. Alguns bons. Alguns muito bons. Alguns extraordinários mesmo. Muitos assim-assim. Outros ficaram pelo caminho. Os que ficaram pelo caminho, foi por circunstâncias da vida, outros porque não passaram o teste da amizade nem o teste do tempo. Também os há. Mas os que ficaram por cá, esses são do caraças. Passam-se dias, semanas, meses e em alguns casos até anos que não vejo alguns. Quando os vejo, é como se o mundo tivesse parado ou em pause. O amor e amizade que sinto por esta gente tem esse poder. E o amor e amizade deles por mim o mesmo. E não se enganem. Eu não sou um gajo fácil de guardar como amigo. No sentido que desapareço de tempos em tempos. Puf. Gone boy. Não sou um amigo de telefonemas ou mensagens frequentes. Eu nem à minha mãe às vezes atendo o telefone (sorry mom, you know I love you). Não sou de visitas regulares. A máxima “longe dos olhos, longe do coração” pode ser um carrasco implacável para quem é meu amigo e acredita nela. É que passo muito tempo “longe dos olhos“. Mas nunca guardo os meus amigos longe do coração. Eles sabem que sou gajo de desaparecer. Mas também sabem que o lugar deles é no meu peito e que aquele espaço ali é intemporal. É para sempre.

Isto a propósito que na semana passada revi um amigo que já não via há tempo demais. Um irmão. Um gajo incansável na insistência em não perder o contacto comigo, porque o gajo já sabe o que é que a casa gasta comigo. Passámos muitos e bons momentos juntos. Partilhámos ondas, viagens, copos, cigarros, trabalhos e histórias. Partilhámos madrugadas frias nas ruas de Lisboa e manhãs geladas nos areais de Peniche. Partilhámos viagens a Sagres e aventuras em Mundaka. Manhãs em branco a trabalhar e a descarregar camiões. Noites a beber e a rir já sem um tusto no bolso e sem saber bem como voltar para casa. Partilhámos angústias e expectativas. Sonhámos. Acordámos para a vida. E sonhámos outra vez. A semana passada ia eu a caminho da praia onde tantas vezes nos encontrámos com os carros na reserva e a cheirarem a wax para decidir onde surfar, desta vez com o meu filho no banco de trás em vez do fato húmido, e bateu-me uma filha-da-puta de uma nostalgia que só visto. Comecei a contar ao meu filho histórias daquele tempo. Ou pelo menos algumas. As que ele pode ouvir.

Hoje somos os dois pais. Cada um com a sua vida. Responsabilidades e mais não-sei-quê. A vida não é exactamente aquilo que sonhámos. Mas anda lá perto. Muito perto. Em algumas coisas, superou os nossos sonhos. Engraçado quando amigos assim, se deixam de ver, as suas vidas podem seguir caminhos diferentes, mas quando se encontram, percebem que não estão muito diferentes um do outro. Ambos vivemos junto ao mar. Ambos temos 2 filhos incríveis. Ambos continuamos a agarrar a vida pelos cornos e tentar aproveitá-la o melhor que podemos. Ambos preocupados com a natureza, com o mundo e com as pessoas. Ambos com o mesmo medo de morrer e as mesmas fobias porque a vida é tão boa, porra. Ambos ainda a sonharem. Este gajo, não o via há tempos, mas parece que estivemos juntos desde sempre. Quando a mulher dele disse-me que devíamos de nos encontrar mais vezes porque éramos como irmãos, aquilo bateu-me. Percebi que apesar dos meus amigos e das minhas amigas saberem que os amo mesmo quando desapareço, que o tempo não espera por ninguém. E que toda a gente gosta de ver e abraçar as pessoas de quem gostam. E que um dia um gajo põe-se a pensar e pensa que deviam se ter encontrado mais vezes. Que um gajo já tem de ver diariamente pessoas que não quer e não gosta e depois podia fazer mais para ver as pessoas que quer e que gosta.

Não sou um amigo fácil de manter. Porque desapareço. Mas quando gosto, gosto a sério, mesmo quando despareço. Mas tenho de me deixar de armar em Houdini. Pelo menos encurtar os meu desaparecimentos.

Fica o meu conselho. Não despareçam como eu. Agarrem nessa cena que carregam no bolso ou nas malas e em vez de ir espreitar à janela do instagram ou do facebook, usem-no para mandar uma mensagem ou telefonar mesmo. O iPhone e o android também servem para telefonar. Combinem uma coisa qualquer. Surfada, skatada, café, chá, scones, cinema, um jog, praia, compras, sardinhada, pic-nic, aula de fitness, qualquer coisa. Mas arranjem maneira de se verem. O instagram e o facebook são porreiros, mas toda a gente sabe que aquela foto do Rock in Rio a 1 km do palco com os dentes arreganhados não nos faz tão feliz como um abraço e uma gargalhada juntos na esplanada com duas fresquinhas e uma travessa de caracóis à frente. Não gostam de caracóis? Comam percebes, azeitonas, qualquer coisa. Vá vão lá, e agradeçam-me depois.

PAUSE & REWIND.

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O tempo passa. Passa depressa. Quando paramos para olhar os nossos filhos, é nessa altura normalmente que nos bate. É comum ouvir-se isso. E porra como é verdade. Parei para ver os vídeos que vou gravando do meu filho. Quando estava a editar um simples apanhado das sessões de skate deste ano, carreguei em pause. Fiquei ali a olhar. Para ele em cima do skate. Focado e determinado a descer uma rampa 3 vezes o tamanho dele. Fiquei a olhar. E a minha cabeça fez rewind até ao dia em que o vi pela primeira vez. Pequeno como os prematuros sabem ser. Lembrei-me dele a dormir numa incubadora com tubos por todo o lado. Lembrei-me de muita coisa que aconteceu pelo caminho. E que teimava em tentar deitar-nos abaixo. Mas prevaleceu a força e a determinação deste miúdo. Que eu nos dias que estou com os azeites chamo de mau-feitio e teimosia. Mas é força e determinação mesmo. És grande filho. E eu sou teu fã.

 

 

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Time flies. It  flies by fast. When you stop to look at your kids, that’s when it really hits you. It’s commonplace to hear that. And damn, how it’s true. I took some time the other day to watch some video clips I recorded of my son. I was editing a handful of video clips of this year’s skate sessions, when I pressed pause. I just sat there looking at the screen. Looking at him on his skateboard. Focused and committed, dropping down a ramp 3 times his size. I just sat there looking. And my head just started to rewind to the day I first saw him. So tiny, like prematures can be. I remember him sleeping in an incubator with wires and tubes everywhere. I remember lots that happened along the way. The thrills and the spills. All the shit that insisted in bringing us down. But this kid’s strength and determination prevailed. On bad days, I call it stubbornness and bad temperament. But it’s really strength and determination. You are a giant, son. And I’m your fan.

{scroll up to watch video}

DE MÃE PARA PAI

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love

Recebi este email da mãe do meu filho:

No dia do Pai quem escreve é a mãe!

Neste dia comemoro a minha sorte imensa. Para mim o Pai não é uma figura, é uma instituição.

Tive a sorte de ter o melhor Pai, e o azar de o ter por pouco tempo. O meu Pai é o meu herói. Assumiu para ele a minha vida, só a morte quebrou o seu compromisso. O meu Pai levava-me para todo o lado. Desde ir comprar roupa até ao jantar com clientes. Ensinou-me a pregar um prego e o quão preciosa é a nossa honra e dignidade. Ensinou-me que podemos existir mesmo depois de morrermos. Ainda hoje o busco e às vezes até parece que conversamos. Nunca está longe mas é a pessoa de quem mais tenho saudade.

Tive a bênção de encontrar a única pessoa capaz de ser tão bom Pai quanto o meu foi. Tive a felicidade de o escolher para Pai do meu filho. O Pai do meu filho é o melhor Pai do mundo. No joke! Não é clichê, é a mais pura das verdades. O Pai do meu filho está sempre presente, sempre. A sua prioridade é o meu filho. O Pai do meu filho renuncia de tudo para ele, ama-o de verdade e isso faz com que renuncie por amor, sem qualquer sofrimento. O Pai do meu filho ensina-o por exemplo, não lhe diz o que fazer, faz. O Pai do meu filho sabe brincar com GI Joes e nada deixa o meu filho mais feliz. O Pai do meu filho sabe contar as melhores histórias, melhores que as histórias dos livros. O meu filho pede-lhe “uma história da tua cabeça” porque sabe que são as mais divertidas. O Pai do meu filho foi Pai e Mãe durante o segundo ano de vida do meu filho. Desempenhou com excelência os dois papeis e ser-lhe-ei eternamente grata por isso. O Pai do meu filho é o seu companheiro preferido, é a primeira pessoa que o meu filho escolhe quer seja para andar de skate quer seja para fazer análises.

Tudo o que lêem neste blogue é uma pequeníssima amostra do que é o Pai do meu filho. É a maior dádiva que alguma vez poderei dar ao meu filho, o seu Pai.

Sem palavras.