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Caraças filho. Isto tem sido a aventura da nossa vida. Tu teres nascido foi assim como se o mundo tivesse parado e recomeçado de novo. Há um antes e um depois. O antes foi brutal. Tive uma infância boa e tenho uma história de vida que não fica atrás. Daquelas que dá para boas histórias e que tu tanto gostas de ouvir. Mas o depois, epá o depois, o depois é épico. Tu és épico. Passaram 6 anos desde que te vi e cabias-me nas duas palmas das mãos. Eras pequeno. uns míseros 1.9 kg.  Achaste que tinhas de conhecer o mundo quando tu querias e não quando tinha de ser. Mas agora que te conheço há 6 anos, como diz a tua mãe, “um miúdo como tu não poderia ter vindo ao mundo de maneira mais espectacular“. Percebo agora que não é defeito, é feitio. És atirado. Corajoso. E determinado como um raio. Grandes cagaços e grandes conquistas é o que se vai ler no teu CV. Tens um carisma que vai muito além da tua tenra idade. Tu nem sabes. Mas quem te conhece, vê e sente. E tens um coração com amor e energia suficiente para iluminar este planeta caso um dia houvesse uma falha de luz geral no mundo. De uma compaixão pelo próximo que às vezes questiono-me se tens mesmo 6 anos. Digo-te muitas vezes que tenho muito orgulho em ti. Mas é que tenho mesmo. Tiras-me do sério às vezes, como um miúdo tem de tirar. Dás-me cabo da paciência às vezes, como um miúdo tem de dar. Abraças-me com a força de um gigante, como um pai gosta de sentir. Dizes-me que me adoras e que sou o melhor pai do mundo, como um pai gosta de ouvir. Respeitas a natureza e cada bicho como se fosse da tua família. Respeitas as outras pessoas todas como se fossem todos teus amigos. E é por isso tudo que tenho tanto orgulho em ti. Feliz aniversário filho. Que o teu amor, a tua luz e a tua coragem contagiem sempre quem te conhece e quem te rodeia. Happy b’day son. Always be happy. Love you always.

THE RETRO SERIES: COMO TER UM FILHO EM 3 PASSOS DIFÍCEIS “O PARTO E O RESTO”

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Dia especial este. O meu filho faz anos. 6 anos. Foram 6 anos incríveis que se passaram. Cheios de tudo. E começou tudo de uma forma mais ou menos atabalhoada. Por isso, e a pedido da mãe, hoje recupero o post do meu blog antigo onde falo do nascimento do meu filho. Foi a parte 3 de uma trilogia que na altura escrevi chamada “Como Ter Um Filho Em 3 Passos Difíceis“. Parabéns filho pelo caminho que fizeste até aqui. Parabéns mãe pela coragem, fé e amor que nos amparou a cada passo. Fica o post que escrevi na altura. Enjoy.

O parto. Ah, o parto. Hoje em dia é um evento familiar. Mãe a soprar e a fazer força enquanto agarra a mão do pai. Pai de bata hospitalar a tentar filmar o acontecimento sem desmaiar. Equipa médica concentrada mas de sorriso a ajudar o mais novo a vir cá pra fora da melhor maneira possível. Sai o bebé e colinho da mãe com ele, ainda cheio de nhanha e tudo. Mãe de lágrimas nos olhos com a sua cria deitada no peito. Pai pálido filma o momento. Ah, o parto. Nos filmes é assim. Mas sabemos bem que na vida real não rola bem desta maneira. O nosso filme então foi bem bem diferente. O que nos leva para o 3º e último passo de como ter um filho em 3 passos difíceis. O nosso filme rolou assim:

Passo 3: O parto e o resto.

Arranquei logo que recebi a chamada da minha mulher a dizer que se estava a esvair em sangue, que a equipa médica não conseguia parar a hemorragia e que tinham de tirar o meu filho já. Para salvar a sua vida e a da mãe. Estava ela com 7 meses de gravidez. 32 semanas para ser mais exacto.
Estacionei no primeiro lugar que me apareceu. E caguei para o ticket de estacionamento. Não tinha tempo para a EMEL. Entro na MAC e pergunto por ela. Olho para a cama onde ela costumava estar e estava vazia. Já sem lençóis e sem nada. Uma auxiliar entrega-me dois sacos pretos enormes cheios com os pertences da vida dela na MAC. Telemóvel, roupa interior, pijamas, laptop, DVDs, garrafa de água, diário, agenda, auricular, carregadores, fotografias. Todo o “mobiliário” dos últimos meses. A auxiliar leva-me até à porta do bloco operatório onde o milagre estava a acontecer. E ali fico. À porta, sozinho, sentado, com 2 sacos pretos enormes. Ninguém mais estava lá. Só eu. E o meu coração a bater na garganta.

Até que sai uma médica pela porta. Não tinha mais de 35 anos. Ou então estava muita bem conservada. Pára e olha para mim. Tira a máscara e aproxima-se com cara séria. Eu levanto-me e ela pergunta-me “é o pai?”. Eu respondo que sim, sou. Ela sem nunca tirar a poker face estica-me a mão e diz “parabéns, tem ali um belo rapaz”. Confesso que me caíram as lágrimas. Ela diz-me “só um bocadinho que a enfermeira já fala consigo”. E foi-se. Passado 1 minuto, saíram pela porta os restantes médicos. Eram uns 3 ou 4. Já não me lembro bem. Todos eles passaram, deram os parabéns sem parar e seguiram pelo corredor na conversa. Eu e os meus sacos ficámos ali à espera em pé, olhos fixados na porta. Ao que sai uma enfermeira com um bebé nos braços. Chega ao pé de mim e conheço o meu filho pela primeira vez. De todos os momentos mais emocionais que tive na vida, este foi sem dúvida o mais emocional. “É o seu menino” diz ela. “Parabéns pai. Correu tudo bem. Nasceu com Apgar 9, pai”. Enquanto ela falava eu não tirava os olhos dele. Queria abraçá-lo mas não podia. Eu tinha acabado de vir da rua, não estava desinfetado e ele estava fragilizado com as suas 32 semanas de vida e 1,9 kg de peso. Mas os meus olhos e a minha alma abraçavam-no e não o largavam. Era tão parecido comigo que fazia impressão. Só que com menos cabelo e sem barba. Lembro-me que tive uma sensação incrível, como se me estivesse a ver a mim próprio quando nasci. Uma espécie de déjà vu. Diz a enfermeira “peço desculpa pai, mas tenho de o levar já para os cuidados intermédios. Depois pode lá ir ter para vê-lo. A sua mulher está a recuperar da anestesia e já a pode ver daqui a um pouco. Aguarde só um pouco”. E seguiu com o meu filho pelo corredor a caminho da Unidade de Cuidados Intermédios. Fico ali. Os sacos e eu com lágrimas nos olhos. Ao que passados uns 5 minutos aparece uma enfermeira à porta com a minha mulher deitada numa maca. Vou direito a ela, dou-lhe um beijo e digo-lhe que a amo. Que é a mulher mais corajosa que conheço. E que correu tudo bem e que já vi o nosso filho. Ela ainda com a moca da anestesia geral, pergunta-me onde ele está. Eu explico-lhe que foi para a UC Intermédios mas que está tudo bem. Ela pergunta-me se ele é bonito. Eu digo-lhe que é de certa forma parecido comigo. Ela grita “O MEU FILHO É LINDO” a chorar e ainda drogada. A enfermeira interrompe dizendo que a tem de a levar para a sala de recuperação, que ela ainda está muito fraca. Tinha perdido muito sangue e ainda estava a sair do efeito da anestesia geral. E enquanto a enfermeira empurra a maca pelo corredor fora vou ouvindo a minha mulher a gritar pelo hospital “O MEU FILHO É LINDO”. Já tinha virado a esquina no fundo do corredor e eu ainda a ouvia. Foi das cenas mais lindas e hilariantes que vi na minha vida.

Vou a correr com os sacos atrás, direto para a UC Intermédios. Quando chego lá, já o meu filho estava na incubadora. Tubo no nariz, a dormir de barriga para baixo. E tirei-lhe a primeira foto. Fico ali. Apaixonado a olhar para ele. Cara grudada no vidro da incubadora como os putos fazem quando vão ao Oceanário.

Entretanto a minha mulher recuperava da cirurgia e da anestesia geral. Tinha perdido muito sangue e portanto estava muito fraca. Só 6 horas depois é que teve autorização para ser levada de cadeira de rodas para ver o nosso filho pela 1ª vez. 6 horas depois ainda não tinha conhecido o filho. Lá foi ela no seu primeiro date com o Santiago. Não posso sequer imaginar o que sentia a caminho dos cuidados intermédios nem o que sentiu quando o viu pela primeira vez, sem poder agarrá-lo ou abraçá-lo. Ela já me tentou explicar. Mas faltam-lhe as palavras. Porque acho que não devem ter sido ainda inventadas. A meio da visita desmaiou. Estava ainda muito fraca. E foi levada de volta para a sala de recobro. No dia seguinte chego à MAC, bom dia e tal e vou direto à UC Intermédios. Chego lá e peço para ver o meu filho. A auxiliar vai à incubadora do meu filho e diz que ele já não está lá. Que tinha sido transferido para a UCI (Unidade de Cuidados Intensivos). Foi um soco no estômago. Perguntei o que se tinha passado. Ele diz que a médica já fala comigo. Então parece que os pulmões ainda estavam pouco maduros e não conseguia manter a respiração sem ajuda. Além disso, o peso dele tinha descido substancialmente porque ele não comia. Fui vê-lo à UCI. A UCI da MAC é incrível. Moderna e com uma apertada vigilância e monitorização 24 horas por dia. E lá estava ele. Todo entubado. Atado para não se mexer. Máscara de oxigénio na cara. Tubos no nariz e na boca. Sensores colados por todo o corpo. Agulhas espetadas nos braços minúsculos. Alimentado por um tubo pelo umbigo. Ainda hoje o meu coração aperta cada vez que me lembro do meu filho tão pequeno assim naquele estado. E eu sem poder fazer nada. O sentimento de impotência é avassalador. É contranatura. Então para colmatar a minha impotência, enchi o peito de fé, esperança e amor. E era o que eu lhe trazia todos os dias. Todos os dias lhe falava e dizia que tinha muito orgulho nele. Que ele era a pessoa mais corajosa do mundo. Que era o mais forte. E que eu e a mãe estaríamos sempre lá para ele. Tudo isto ao som dos beep-beep do monitores e do swoosh-swoosh do ventilador que lhe dava o oxigénio para ele respirar. Odiava aqueles sons. Ainda hoje quando os ouço só me lembro disso. Eu tornei-me especialista em ler valores nos monitores. Sentava-me lá ao lado e ficava a olhar ora para ele ora para os valores do monitor. Cada vez que os valores de O2 passavam abaixo de determinado limite que para mim era razoável, lá estava eu a chamar a médica. Fiz marcação cerrada à puta daquela máquina. E assim formam os dias seguintes.

Passados uns dias a minha mulher teve alta. Finalmente. Depois de semanas a fio internada podia sair. Quando entrou era verão. Fazia calor. E agora que ia sair, já o frio apertava. Mas ela pouco saboreou a saída. Porque o nosso filho ia ter de ficar. E já é difícil imaginar o que será para uma mãe ter um filho, completamente anestesiada, sem assitir a nada, ficar sem ele sem nunca o ter visto depois de ele ter nascido durante 6 horas. O difícil que será ficar acamada num quarto rodeada de mães com os seus filhos recém-nascidos ao colo e ela ali sozinha com o filho enfiado numa incubadora enrolado em tubos na UCI. Mas ter de sair daquele hospital e deixá-lo ali…. Voltar para casa sozinha comigo sem o nosso filho. Foi tremendo. Nunca vou esquecer os olhos dela enquanto voltávamos para casa. Há pouco tempo vi um video de um caso mais ou menos idêntico ao nosso, e há uma parte em que o marido filma os olhos da mulher quando voltam para casa sem o filho. E eu revi aquela cena exatamente.

E a nossa rotina continuava. Casa-MAC-casa. Tirei os dias a que tinha direito e passava os dias lá com minha mulher. Entretanto ele começa a melhorar. Começa a ganhar cada vez mais força e peso. E é finalmente transferido novamente para a UC Intermédios. E aqui fica durante mais alguns dias.

Passados alguns dias, ele é transferido para o Berçário. Acabou-se a incubadora. Acabaram-se os tubos, máquinas e monitores. Já tinha ganho peso e força suficientes para estar finalmente com os outros bebés. Antes ainda vi uma enfermeira tentar lhe tirar sangue para análises. Mas não encontrava a veia. Espetou-o em 4 sítios diferentes nos braços sem sucesso. Teve de lhe tirar o sangue pelo pé. Cada vez que ela espetava a agulha o meu coração rasgava. Mas estes putos são qualquer coisa de extraordinário. Incrível a resiliência e força deles. São mesmo uma força da natureza.

Agora já no Berçário as rotinas eram outras. Banhos já eram dados pela mãe (eu não dava porque adorava ver a felicidade e amor estampados no rosto da minha mulher ao lavar o filho num recepiente do tamanho de um tupperware). O leite também já era dado pela mãe. Aconchego e colo. Palmadinha nas costas para o arroto da praxe. Tudo a que tinha direito. E assim foi até dia 15 de novembro. 20 dias depois de ter nascido. Conseguiu chegar ao peso mínimo aceitável para ter alta e foi o 1º dia que o levámos para nossa casa. O entusiasmo de levarmos a mala com a primeira roupinha que ele ia usar é difícil de pôr em palavras. Nunca vou esquecer a cara da minha mulher a fazer-lhe a mala. Foi um dos dias mais felizes das nossas vidas. Estava um frio de rachar lembro-me. Mas o calor que trazíamos no nosso peito era suficiente para aquecer toda a Lisboa.

E assim se fez um filho em 3 passos difíceis. Foi uma aventura do caraças. Um carrocel de emoções. Uma monumental tareia emocional. Podia ter sido muito pior é certo. E todos os dias agradeço a sorte e felicidade de ter corrido como correu. Todos os dias sinto-me abençoado. E sei que Deus esteve do nosso lado. A cada passo. Se podia ter sido mais fácil? Podia. Mas não era a mesma coisa.

 

E agora que estive a relembrar e a recontar toda esta história, quero agradecer:

  • a toda a equipa da MAC (médicos, enfermeiros, auxiliares e seguranças) que foram a nossa família durante aqueles meses. Aos médicos e enfermeiros por nunca terem desistido de nós nem de ninguém que lá estava.
  • às mães que lá estavam pelo apoio mútuo e pela partilha de fé, esperança, amor e histórias.
  • à minha mulher por ser a mulher mais corajosa, determinada e forte do mundo. És a melhor mãe do mundo e uma mulher do caraças. E ainda diz que passaria por tudo outra vez.
  • e ao meu filho, por nunca ter desistido, pela resiliência, pela força, por me ter ensinado o que é lutar pela vida sem nunca baixar os braços. Acho que ainda não tens bem noção, mas és o meu herói.

Só mais uma palavra à EMEL, pela multa que me deram à frente da MAC e que mesmo depois de eu ter explicado toda a situação, mostraram inflexibilidade e intransigência: ide para a puta que vos pariu. Não paguei a multa nem pago, que a esta hora já prescreveu.

VAGABOND VACATION

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Já era tempo. Mais de 2 meses depois de ter posto fotos no instagram que suscitaram perguntas sobre onde eram aqueles sítios incríveis por onde durante 1 semana andámos, finalmente venho cumprir o prometido e falar dos sítios onde estivemos no verão.

Todos os anos vamos 1 semana para fora cá dentro. Optamos sempre por fugir da praia durante 1 semana no verão porque 1) vivemos na praia o ano todo e sabe bem mudar de ares; 2) não estou para pagar para ir para um sítio com confusão, trânsito, multidões, mau serviço e preços inflacionados; e 3) nesta família todos adoramos a natureza e de nos “perdermos” no meio dela.

Este ano decidimos ir para a zona da Serra da Estrela. Procurei e encontrei um sítio para ficar que era a nossa cara. Chão do Rio é um sítio incrível na sua simplicidade. Um sítio bonito, onde se respira paz, sossego e vida. Tem 5 casas de pedra e telhado de colmo com um charme do caraças por dentro e por fora. E mais uma casa grande que foi em tempos antigos um abrigo de cabras. As casas ficam à volta de uma piscina biológica em formato de lago, rodeada de nenúfares.

Mal chegámos o meu filho despiu-se e ficou de cuecas. Disse-me que aquilo parecia a aldeia do Mowgli do Livro da Selva, e por isso queria andar como o Mowgli. No final do 1º dia o meu filho perguntou-me se podíamos ficar ali a viver. Está tudo dito. A casa tem tudo o que se possa precisar, incluindo uma caixa com brinquedos para quem tem filhos. Até um tanque de pedra natural há no terreno para lavar roupa à antiga. Há btt’s para se usar [a única coisa que precisa de revisão pois estão um pouco mal-tratadas], um carrinho de mão para transportar bagagem ou para fazer cross-fit com o puto lá dentro, camas de rede à frente de cada casa para descansar os ossos, baloiços para os miúdos e para os adultos que são miúdos, tudo. Para o pequeno almoço há uma cesta com requeijão de ovelha da região, doce de abóbora caseiro, fiambre de aves, ovos caseiros de uma capoeira castiça ali ao lado, sumo, fruta, pão, manteiga e um bolo caseiro típico da zona. Ainda há café, leite e chá na casa. Pão fresco ainda quente é entregue todos os dias às 17h em cada casa dentro de um saco do pão. A água da piscina biológica é morna, fruto do sol de 37 graus que ali bate e não do xixi como noutros sítios no verão. É um sítio onde ao final do dia um miúdo pode andar no baloiço de corda pendurado no ramo do sobreiro enquanto se grelha uns costeletões no churrasco de pedra ali ao lado. Ou bater um sesta na cama de rede ao som dos pássaros e da brisa. Ou deitar de costas junto ao lago à noite a olhar para o maior desfile de estrelas que alguma vez vão ver no céu enquanto os grilos nos embalam. Esqueçam contar estrelas. É impossível, tantas que são.

Os dias para ali são quentes nessa altura do ano e as noites são amenas, que é o que se quer. Explorámos muito do que havia para explorar por ali. E muito ainda ficou por explorar. Descobrimos algumas das cascatas, ribeiras, poços e piscinas naturais mais incrivéis que vi. A beleza natural destes sítios é de rebentar a escala. Subimos encostas, fizemos caminhos improváveis, escalámos pedras, percorremos trilhos. Mergulhámos e nadámos nas águas mais cristalinas e puras que alguma vez vi. Tudo limpo, intocado, foi assim que encontrámos toda a zona envolvente da Serra da Estrela. Um orgulho e uma satisfação ver a natureza assim. A contrastar com muitas zonas costeiras no verão, que infelizmente caiem vítimas dos feios, porcos e maus.

Felizmente não houve incêndios enquanto lá estivemos. Infelizmente é uma merda que teima em não desaparecer nos meses quentes e que dá cabo do que mais lindo e puro temos e que me dá cabo também dos nervos.

Uma última palavra para a simpatia contagiante daquela gente por ali. A começar pela Catarina [dona e criadora do Chão do Rio], passando pela Dona Emília e pela Sofia que nos receberam tão bem, e toda a gente que fomos conhecendo e falando por aquela região, em Travancinha, na Lapa dos Dinheiros, em Loriga, em Seia e por ali fora. Da comida na região nem falo para não me dar a fraqueza.

Enfim, assim sim vale a pena. Sítios maravilhosos que temos aqui mesmo em Portugal. Gente boa por este país fora. É só quererem ir à descoberta. A vida é feita disto. De descoberta. So get living.

Chão do Rio fica na castiça aldeia de Travancinha a 14km de Seia.

Todos os outros sítios que descobrimos e conhecemos que aparecem nas fotos e vídeos ficam na região e não ponho aqui as coordenadas nem as direcções exactas porque 1) é difícil explicar exactamente; e 2) como se diz “it’s not about the destination, it’s about the ride“. Procurem e vão descobrir por vocês próprios. Vão adorar. De nada.

5 DICAS PARA PREPARAR UM MIÚDO DE MANHÃ

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Este blog está uma merda. Prova disso, foi ninguém me nomear para os prémios de Blog do Ano. Depois de ver alguns dos incríveis blogs nomeados é que percebi que a este blog falta tudo para estar ao nível intelectual, literário e crítico de um blog como um Poupadinhos & Com Vales, por exemplo. Por isso, decidi adoptar o modelo de uma revista tipo Máxima e fazer um post de dicas, a ver se assim um dia posso aspirar ao sonho de ser nomeado para os tão desejados e respeitados prémios. E como começaram as aulas há pouco tempo e um dos dramas que todos vivemos é arranjar e despachar os miúdos de manhã a horas, ficam aqui 5 dicas cá do burgo.

  1. Acordar depois da hora. O que é acontece quando uma pessoa acorda, olha para o relógio ou smartphone e vê que já passa da hora? Manda um pulo da cama e começa a correr pela casa fora a gritar com tudo e todos. Portanto, uma das melhores maneiras de um gajo se despachar de manhã é acordar depois da hora. Temos muito mais energia e força para arrastar o miúdo da cama pelo chão até à casa de banho com uma mão enquanto escovamos os dentes com a outra.
  2. Preparar as coisas na hora de sair. Ah e tal, preparar as coisas no dia antes… Bullshit. Nada dá uma pica de adrenalina mais intensa do que estar a preparar as mochilas, roupas, sapatos, lancheiras e malas do gym em cima da hora, enquanto se grita “come a torrada já te disse” ao mesmo tempo que se barra manteiga na carteira e se tenta desligar o despertador do iphone com o cotovelo que continua a tocar sem se calar. Um gajo sente-se logo vigorado, cheio de energia, como se tivesse mandado abaixo uma litrosa de café, daquele de cápsula preta que é mais intenso. [inserir patrocínio da Nespresso aqui. Ou é da Nescafé? Não sei. Mas inserir aqui]
  3. Fruta para o pequeno-almoço. Não dizem que a fruta faz bem? Que se deve comer ao pequeno-almoço? Então nada como ter uma banana ou maçã ou pêra que se possa usar como plano B quando já gritámos 15 vezes para comer a porra da torrada e beber o leite. É que é uma torrada com 4 cm. Como é que demora tanto tempo comer uma torrada daquele tamanho? “Toma lá uma banana. Comes pelo caminho.” [inserir patrocínio da Chiquita aqui]
  4. Ter gel em casa. Daquele para o cabelo. Descobri que é uma maravilha para tirar a franja dos olhos ao miúdo. Para quê perder tempo a pentear uma cabeça que não pára quieta? Um pouco de gel e ‘tá feito. Outra alternativa é rapar o cabelo, mas estou à espera da primeira pandemia de piolhos para isso.
  5. Slip-ons. Sapato com um estilo clássico e uma pinta intemporal e é rápido a calçar. Se for da Vans têm mais style points, mas se for da H&M ou mesmo marca branca, também dá. Atacadores roubam pelo menos 30 minutos de “pára com o pé” e “deixa-me ser eu que não temos tempo para estares a tentar tu, ouviste“.

Cá está. 5 dicas para preprar um miúdo para a escola de manhã sem atrasos. Se isto não me garantir uma presença nos prémios de blog do ano, então não sei.

Para a semana deixo 5 dicas de como viajar com crianças sem querer desistir a meio, voltar para casa e obrigar a ficarem todos em casa durante 2 semanas a ver televisão.

Bom fim de semana.

DAY ONE (DO RESTO DA VIDA)

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vai haver dias bons

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vai haver dias maus

Primeiro dia de aulas. 1980. 8 da manhã. Cabelo corte à tigela. Calças azuis escuras, camisa azul clara e gravata. Sapato de tap dancer. Não fosse eu ser chamado para mostrar o meu melhor Fred Astaire. A minha mãe leva-me à escola. Uma escola que ia do 1º ano ao 9º. Ali fico a posar para a foto da praxe. Lancheira de metal na mão. Lá dentro não me lembro, mas deviam estar uma sandes de mortadela, um leite, e umas bolachas Chips Ahoy. Calma health freaks, eram os anos 80. O meu primeiro dia na 1ª Classe. Estava longe de imaginar que ali começava a minha caminhada escolar onde aprenderia algumas das coisas mais importantes na minha vida. Como por exemplo, centrar bem o papel higiénico na mão antes de começar a limpar o rabo. Ou como nunca me deixar intimidar por um ou uma bully. Ou como não comer o lanche do colega se a maionese cheirar mal. Ou como não embeiçar pela miúda mais popular, porque é sempre a mais convencida e é garantido que vai crescer e tornar-se uma sopeira. E ainda mais algumas coisas.

A primária (ou o 1º Ciclo, como os modernos gostam de chamar) é provavelmente a fase escolar mais dura das nossas vidas. Um gajo vem de brincar e pular o dia todo como se não houvesse amanhã, de sestas brutais a seguir ao almoço, de ter gente que nos ata os sapatos enquanto ali ficamos altivos de mãos à cintura como donos do mundo e a pingar do nariz pra cima da nuca do pobre coitado ou coitada, e de repente, passamos a estar sentados quase o dia todo, a ter de pôr a mão no ar para falar, a pôr a nossa própria comida numa bandeja e a procurar um lugar no refeitório como na penitenciária de San Quentin.

Com um bocado de sorte, conhecemos alguém já lá na escola e a cena corre melhor. Na pior das hipóteses, a única pessoa que conhecemos é o bully e não é pelos abraços que ele dá. Se a sorte estiver mesmo do nosso lado, temos uma daquelas professoras que são como a nossa Tia Maria, queridas e preocupadas. Tão fixes que ainda hoje com 4o anos lhes chamamos professora quando a encontramos na rua. Se tivermos azar, apanhamos um daqueles ou daquelas amargurados que ganham uma merda e foram colocados a não-sei-quantos-kms de casa num sítio onde não conhecem  ninguém e por isso têm pouca paciência para 20 minions que não sabem bem ao que vieram. É duro.

Por isso, quando fui buscar o meu filho à escola e lhe perguntei como é que tinha corrido, bem, mal ou médio, e ele respondeu “muitíssimo”, respirei de alívio. Sei que não vai ser sempre assim. Vai haver dias que o bully lhe vai estragar a manhã. E a camisola. Vai haver dias que aquele empadão instantâneo não vai cair bem. Que a única coisa que vai cair bem é a cara no chão. Vai haver dias de orgulho ferido e mãos esfoladas, de autocolantes vermelhos e recados no caderno diário. Mas vai haver também muita coisa boa. Amigos para a vida. Golos memoráveis. Chegadas à meta em primeiro. 100 por centos. “Satsifazes muitos”. E pais orgulhosos. É assim. Good days e bad days.

Para já começou bem. Começar mal logo na partida ninguém quer. Mas mesmo que aconteça começar mal nalguma coisa na vida, é lembrar que o Usain Bolt começa sempre mal na partida. E leva sempre a medalha. Enquanto que o bully dele está em casa dos pais alapado no sofá a enfardar Doritos com cerveja a vê-lo na TV em cima do pódio de braços no ar, medalha d’ouro ao peito, com a bandeira da Jamaica às costas. That’s life.

MEU QUERIDO MÊS DE AGOSTO

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being a surfer is not being an asshole

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Ahhhhh… Mais um mesinho e isto acaba. Não me entendam mal. Gosto do verão. Sabem bem as temperaturas mais quentes, a cerveja geladinha, o peixinho grelhado na rua, sushi na esplanada, surfar de calções (mesmo que seja só por meia hora). Gosto disso tudo. E viver na Ericeira, significa ter de partilhar isso com muita gente. Com muita gente mesmo. Partilhar as praias e as ondas com muita gente é coisa que acontece um pouco todo o ano, mas no verão bate a escala. É assim mesmo. Nada a fazer. Como meca e reserva mundial de surf, bate cá muita gente. De dentro e de fora. Eu não sou “local” original. Não cresci aqui e vim cá parar já velho. Já com o meu filho vai ser diferente. Mas eu, mesmo sendo um “transplantado“, trago comigo sempre para onde vou viver uma coisa da qual não abro mão. Respeito. Respeito pelo sítio onde vou viver. Respeito pela sua gente. Respeito pela cultura, pela natureza, pela comunidade. Passo o mesmo ao meu filho. Desde muito cedo que ele aprende a trazer com ele o respeito. Vá onde for. E se é verdade que uma pessoa que viva num sítio destes já sabe que tem de levar com enchentes nas praias, estacionamentos lotados, filas de trânsito e supermercados à pinha, há uma coisa que não tenho de levar. Nem eu nem ninguém. Falta de respeito. E é por isso que fico aliviado com a debandada geral que no final do mês de agosto se dá aqui na Ericeira.

Já se sabe que grunhos e idiotas comportam-se como grunhos e idiotas, mas fico lixado quando vejo gente que devia dar o exemplo a fazer merda. E se alguém devia dar o exemplo na Ericeira sobre o civismo e o respeito pela natureza e pela comunidade somos nós os surfistas. Quem faz surf, sabe que viajar à procura de ondas faz parte do nosso DNA. O mar, as ondas e as terras que as albergam são onde passamos alguns dos nossos melhores e mais memoráveis momentos. Por isso quando vejo chegar o verão e com ele “surfistas” a deixar lixo por onde passam, a estacionar em cima de dunas e falésias, e a cagarem-se de alto para quem está na praia ou na água também para gozar o dia, fico na merda.

Até o meu filho de 5 anos vê. Já lhe tive de explicar a diferença entre um surfista a sério e um kook*. E desenganem-se, não é pela experiência que se distinguem. É pela atitude. Nos meses de verão então é kooks a dar com um pau. Algumas chamadas “escolas” de surf também têm responsabilidade. Porque a 1ª lição que deviam dar antes ainda de contar as notas que as turmas de 20 alunos lhes deixam nas mãos, é a do respeito. Antes de lhes ensinar a arrastar as pranchas pela areia, deviam lhes ensinar que respeitar a natureza e as pessoas à sua volta é o primeiro passo para ser um surfista. Mas muitas escolas estão tão ávidas a fazerem contas enquanto salivam com cifrões nos olhos, que se esquecem disso. Eu este ano vi de tudo. Alunos com fatos vestidos ao contrário, várias turmas de mais de 15 pessoas de uma vez a “aquecerem” em cima das outras pessoas, centenas dentro de água a varrerem tudo e todos que lhes aparecem à frente, lixo deixado no chão no final da sessão. Uma puta de vergonha.

Felizmente não são todas as escolas. Há escolas boas, com sentido ético, preocupadas com o respeito. Também as vi. Distinguem-se bem as escolas que valorizam qualidade acima de quantidade. A essas, congrats. Por estarem a dar uma boa experiência a quem quer aprender, mostrando o que realmente é o surf. Porque quando se diz, que o surf é mais que um desporto, que é um estilo de vida (frase tão usada nos anos 80 e no Point Break mas que apesar de cliché não deixa de ser verdade), significa também que além de conseguir surfar uma onda, um surfista é alguém que respeita a natureza, o mar, e todos os que vivem dele e nele.

Por isso, apesar de ser um transplant, fica a minha To-Do List para quem visita a Ericeira, ou qualquer outro sítio para surfar:

  • Não deixem lixo. Apanhem a merda que fazem que os outros não são vossos criados e o planeta é de todos e de todas. Eu e o meu filho estamos fartos de apanhar lixo que não é nosso. Escolas de surf, abram os olhos e não deixem isso acontecer. Ensinem a respeitar a natureza e dêem o exemplo.
  • Quando uma falésia ou uma duna tem um sinal a dizer “Não estacionar ou circular em cima das falésias ou dunas“, signifca não deixar o carro lá estacionado nem circular lá. Parece elementar mas há gente básica que não percebe. As dunas e as falésias devem ser preservadas.
  • O mar no verão é frequentado por todos. Surfistas, bodyboarders, SUPs, veraneantes, nadadores, mergulhadores, crianças. O mar não está reservado exclusivamente para as escolas de surf, nem para kooks, nem para ninguém. O espaço é para ser partilhado. Bom senso, é só isso que é preciso. E civismo.
  • A praia é para todos e todas. O meu filho pode estar a brincar na areia sem ser abalroado por um grupo de kooks com os fatos mal-vestidos a galoparem pelo areal como se fossem cavalos selvagens? Bom senso. É fácil.
  • Um kook em cima de uma prancha desgovernada pode matar uma criança ou magoar seriamente alguém. Aprendam a olhar à volta. E escolas de surf, ensinem a estarem atentos ao que os rodeia.
  • Quando visitam uma terra que não é a vossa, respeitem a sua gente e a sua terra. Não façam merda, não arranjem confusão, não poluam, não gritem às 4 da manhã feitos estúpidos, não vandalizem, não dropinem.

Toda a gente que faz surf já foi kook ou principiante de uma maneira ou de outra. Mas nem todos foram parvos.

 

*Kook: um indivíduo com pouco ou nenhum conhecimento das normas e regras sociais do surf, e isso inclui respeito pela natureza, pelos locais e pela comunidade. Na água, a ignorância básica de um kook representa um perigo iminente para surfistas e outros na água; kooks podem ser reconhecidos pelos faux pas que regularmente exibem dentro e fora de água, como por exemplo ir fazer compras ao supermercado com o fato vestido como este kook que fotografei este verão:

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Ahhhhh… Just another month and it’s over. Don’t get me wrong. I like summer. It’s got things going for it. I enjoy the warm weather, an ice cold beer, grilled fish outside, sushi in the seafront, surfing in boardshorts (even if it is for just half hour). I enjoy all that. And living in Ericeira means sharing all that with lots of people. I mean lots of people. Sharing the beaches and the waves with the crowd is something that happens a little bit throughout the year. But come summer, it really gets overwhelming. That’s just the way it is. It is what it is. As a World Surfing Reserve, Ericeira gets visited by lots of people. From here and abroad. I’m not an original “local“. I didn’t grow up here and moved here already an old fart. My son on the other hand will grow up as a local. But even though I’m a “transplant“, I carry with me something everywhere I move to, something I’m not willing to compromise. Respect. Respect for the place I am going to live. Respect for its people. Respect for the culture, for the environment, for the community. I pass that over to my son. Since a very early age he’s been learning to carry with him respect wherever he goes. And if it’s true that living in a place like this means dealing with crowded beaches, packed parking lots, nerve wrecking traffic and overcrowded stores in the summer, there’s one thing that I don’t have to put up with. Neither does anyone else. And that’s disrespect. That’s why I’m relieved with the full-on retreat that we see here in Ericeira come the end of August.

It’s a given that assholes and turds will be assholes and turds, but what really pisses me off is when those who should give the example are the ones doing shit. And if someone should set the example in Ericeira on respect for the environment and the community, it’s us surfers. Those who surf know that travelling searching for waves is part of our DNA. The sea, the waves and the towns that harbor them are where we live some our best and most memorable moments. So I get proper pissed when I see summer coming and with it “surfers” that litter, drive and park on protected cliffs and dunes, and just don’t give a rats ass about whoever is on the beach or in the water to enjoy the day.

Even my 5 year old son sees it. I had to explain to him the difference between a real surfer and a kook*. And it’s not the experience that sets them apart. It’s the attitude. Summer months are kook havens. Some so-called Surf “Schools” are also responsible. Because the 1st lesson they should teach even before counting the cash from their 20 student classes, is respect. Before teaching them to drag their softboards across the sand, they should teach newcomers that respect for nature and for the people around them is the first and foremost step in becoming a surfer. But many schools are just so avid counting cash with dollar signs (or euro signs in this case) in their eyes, that they forget. I saw it all this year. Students with their wetsuits on inside-out, classes with over 15 kooks at a time “warming up” on top of people, hundreds swarming the line-up and just taking out anyone and everyone who got in their way, garbage left behind on the floor after the session. A damn disgrace.

Fortunately, not all schools are like that. There are good surf schools, with a proper sense of ethics, concerned with respect. I also saw these. You can easily  tell the difference between a school that’s focused on quality as opposed to quantity. To these, congrats. Congrats on giving a good experience to those who are learning, showing them what surfing really is about. Because when we hear that surfing is more than a sport, that it’s a way of life (an expression so popular in the 80’s and in Point Break, that even though it’s cheesy, it is kinda true), that means that a surfer not only is someone who rides a wave, he or she is also someone who respects nature, the sea, and all those who live from it or in it.

So, although I’m a transplant, here’s my To-Do List for all those willing to visit Ericeira, or any other place to surf:

  • Do not litter. Pick up the shit after you, because others are not your slaves and the planet belongs to everyone. My son and I are tired of picking up garbage left by others. Surf schools, open your eyes and don’t let it happen. Teach respect for the environment and set the example.
  • When a cliff or dune has a sign reading “do not drive or park on cliff or dune”, that’s exactly what it means. It may seem basic, but some basic people just don’t fucking get it. Cliffs and dunes should be preserved.
  • The ocean in the summer is used by all. Surfers, bodyboarders, SUPs, beach-goers, swimmers, divers and children. The sea is not reserved exclusively for surf schools, kooks, nor anyone else. It should be shared responsibly. Common sense, that’s all that’s needed.
  • The beach is for everyone. Can my son play in the sand without being run-over by a gang of kooks with their wetsuits on backwards as if they were a band of wild horses? Common sense, it’s easy.
  • A kook on a runaway board can kill a child or seriously hurt someone. Learn to look around. And surf schools, teach your classes to be aware of their surroundings.
  • When visiting a new place, respect it’s people and their town. Don’t fuck up, don’t cause confusion, don’t pollute, don’t yell and be rowdy at 4 A.M. like an asshole, don’t vandalize, don’t drop in or burn others.

Anyone who surfs was a kook or a beginner at some point. But only some are assholes. Don’t be that guy.

 

*Kook: an individual with no understanding of the social rules and norms of surfing, and that includes respect for nature, for locals and the community. In the water, a kook’s cluelessness can endanger surfers and others; kooks can easily be recognized by the faux pas they commit in and out of the ocean, such as grocery shopping with your wetsuit on like this kook I saw this summer in the photo above.

BLOGS I F#*KING LOVE: DIEGO DISCOVERS

DiegoD

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Ooooh yeah! Voltou finalmente a partilha de blogs que valem a pena. Blogs I F#*king Love is back. Já fazia tempo que dava a conhecer alguns dos blogs que me ocupam o tempo quando estou na net. E hoje vai um especial.

Diego Discovers é um blog de descoberta. Escrito por um explorador urbano dos tempos modernos, curioso insaciável e a cereja no topo do bolo, é meu primo. Boom.

O Diego vive em Nova Iorque, mais especificamente em Brooklyn, e como jornalista nova-iorquino a roçar o hipster (you live in Brooklyn , what did you expect me to say?), tem um faro apurado para o improvável. O facto de ter estagiado no Howard Stern Show também não terá ajudado o Diego a ser um moço certinho a escrever sobre coisas fofinhas de Nova Iorque.

Então o que temos aqui é um blog que dá a conhecer um New York como deve ser, ou seja um New York original e único. Sítios para comer, sítios para beber, sítios com picante, abraçadores profissionais, tapetes humanos, enfim, New York senhores e senhoras.

É clicarem ali em cima da foto que já vão ver. De nada.

 

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Ooooh yeah! The sharing of cool blogs has returned. Blogs I F#*king Love is back. It’s been a while since I’ve shared some of the blogs that take up my precious time on the web. And today we have a special one.

Diego Discovers is a blog of discovery and wonder. Written by a modern-day explorer, an insatiable curious and the cherry on top, he’s my cousin. Boom.

Diego lives in New York, in Brooklyn to be more exact, and as a slightly hipster New York journalist (you live in Brooklyn, what did you expect me to say?), he has a nose for the improbable. The fact that he was an intern at the Howard Stern Show also didn’t help in making Diego a clean-cut boy writing on cute New York things.

So what we have here is a blog that introduces you to a whole other New York, in other words, an original and unique New York. Places to eat, places to drink, places with hot sauce, professional cuddlers, human carpets, well, you know, New York ladies and gentlemen.

Just click on the photo above and you’ll see. You’re welcome.

ET VOILÀ LA RÉALITÉ

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always believe

Diz que somos pequenos. Tristes. Cantamos fados e temos bigodes. Os homens e as mulheres também. Somos chicos-espertos. Preguiçosos. Não trabalhamos e temos feriados a mais. Diz que o nosso melhor futebolista é vaidoso, fingido e petulante. Que o nosso melhor treinador é vaidoso, fingido e arrogante. Que somos nojentos, porcos e não merecemos ganhar. Que ganhámos sem ganhar. Diz que sim. Diz-se muita coisa.

Algumas dessas coisas são um bocado verdade. Outras são só inveja. E outras ainda são só básica estupidez. O que eu sei é que ontem vi um petit français a limpar a perna ao Cristiano Ronaldo. E ninguém me tira da cabeça que foi propositado e previamente falado. Ontem vi um povo tipicamente arrogante, mesquinho e petulante a vergar-se perante um gigante Portugal. Ontem vi uma equipa ganhar o Campeonato Europeu sem perder um único jogo durante todo o torneio. Foi o que eu vi. Ontem vi os media nojentos franceses a engolirem as suas palavras. Ontem vi o melhor jogador do mundo a ser o melhor companheiro do mundo, o melhor amigo do mundo e o melhor team player do mundo. Sem sequer jogar. Ontem vi um gajo que niguém valorizava nem ninguém acreditava a marcar um golo e a mudar o destino de um país. E logo a seguir, a ter a humildade e coração de reconhecer quem o ajudou. F#$a-se, dá-me vontade de chorar só de lembrar.

Ontem vi uma espécie de remake do Karate Kid. Portugal é o Ralph Macchio. O Daniel-Son. Um lingrinhas que os grandes querem aviar e a quem não páram de fazer bullying. Um meia-leca a quem tentam mandar abaixo. Mas que apesar dos pontapés e empurrões, acredita em si próprio e mesmo no final do torneio quando lhe limpam a perna, não baixa os braços e com um golpe consegue o improvável.

A diferença foi que o puto irritante louro com a franja nos olhos que levou o pontapé nas trombas do Karate Kid e que perdeu o torneio para ele, foi ter com ele no final, deu-lhe os parabéns e entregou-lhe a taça ele mesmo.

Já os franceses, têm tanto fairplay como uma melancia tem cabelo. O triste tonto Payet que limpou a perna ao seu adversário e o tirou do jogo diz que não pede desculpa. O nojento do Rothen, um ex-jogador medíocre com cara de soldadinho das SS mantém a sua opinião aborrecida e irrelevante que Portugal não merecia ganhar nem estar na final. Os media franceses não conseguem congratular nem elogiar o vencedor. E até agora, nenhum dos meus colegas e amigos franceses me deu os parabéns pela vitória de Portugal. Recebi mensagens de amigos e colegas de Itália, Espanha, EUA, Inglaterra. De França, nem um. Só um emoticon com cara feia quando escrevi “Fuck You Payet” numa rede social depois do esterquinho ter magoado o CR.

Bom, fez-se justiça e tal como costumo dizer ao meu filho, os bons ganham sempre. E aqui foi o caso. Somos campeões. Como eu e o Eng. Fernando Santos sempre dissémos. E isso é a realidade dos factos. O meu filho teve o privilégio de ver Portugal Campeão Europeu com apenas 5 anos. Vestiu a camisola em cada um dos jogos (e eu sinceramente acho que foi por isso que não perdemos nenhum jogo). Ficou a conhecer outros jogadores para além do CR, como por exemplo o Quaresma de quem ele ficou fã. Mas acima de tudo, conseguiu confirmar com o Euro 2016 tudo o que lhe ando a dizer desde que nasceu. Que nunca devemos desistir. Que para conseguirmos temos de tentar. Que os maus não ganham. Que somos capazes de tudo quando queremos a sério e quando não temos medo. Que devemos sempre acreditar em nós, mesmo quando ninguém mais acredita. Esta vitória de Portugal veio dar muita credibilidade às minhas palavras. Obrigado Portugal. Obrigado do fundo do meu coração.

A VIDA EMOCIONAL DE UM PAI

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canudo ou não, este sorriso é o que me inspira

Lembro-me de uma altura em que não tinha filho. A vida parecia fácil. Mas também parecia dura. Os sonhos e o dinheiro nunca chegavam. O coração partia com o bater da porta e arranjava-se com um novo beijo. A noite era para acordar, a manhã para dormir e as tardes eram para o que desse e viesse. Mas quando penso nas coisas que me fizeram chorar de emoção, nas coisas que me encheram o peito até doer, nas coisas que me abalaram os ossos, não me lembro de muitas. Aliás, não me lembro praticamente nenhuma. Lembro de chorar a sério quando o meu avô morreu e de sentir um vazio que mais parecia vácuo do qual achei que não ia sair. Tirando isso, não me lembro de outro momento que me tenha encostado à parede pelos colarinhos.

Quer dizer, claro que houve aqueles momentos quando era miúdo em que o mundo implodia ou explodia. Como o dia em que dexiei com 10 anos a minha mãe e as minhas irmãs noutro lado do oceano e fui viver para outro país. Essa custou. Enfim, e aqueles momentos normais de tragédia e glória infantil como paixões e despaixões, brinquedos perdidos, golos marcados. Mas tirando esses momentos quando era mais novo e a morte do meu avô já em adulto, não me lembro de outros momentos de sismos emocionais. Até ser pai.

Quando o meu filho nasceu, conheci todo um mundo de emoção que raios-me-partam. Começou com o dia em que a minha mulher me dá um presente para abrir e lá dentro tinha um micro-gorro a dizer “I Love Dad“. A partir daí foi um vê-se-te-avias. O dia que nasceu. O internamento dele. A alta dele. O dia que dormiu pela primeira vez em casa ao nosso lado. Todos os abraços. Todos os “eu amo-te pai” e “pai, gosto muito de ti“. Em 5 anos tenho me emocionado mais vezes do que na minha a vida toda para trás.

Mas para ser franco, não achei que me fosse emocionar quando ele acabasse a Pré. Afinal de contas, é a Pré, porra. Não é propriamente um MBA em Harvard. Como eu estava enganado. Quando o vi, vestido como um mini-Steve Jobs, soube logo que esta merda de passar a vida a chorar de emoção nunca vai parar. É assim a vida emocional de um pai.

E assim foi. O meu filho licenciou-se. Fica já despachado. ‘Tá feito. Mas com ou sem canudo, é o sorriso dele que mais me emociona acima de tudo. É sempre o sorriso dele.

Proud of you my son.